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[ Terça-feira, Dezembro 02, 2008 ]

 
Sinistra como uma sinopse.

Penso pouco e rápido, mas sei decorado como são os olhos de quem tem medo do tempo, das palavras, dos gestos, das sílabas estridentes que saem de gargantas roucas.

Juízes não dão plantão para os embriagados aos finais de semana.
Que bom! Ufa! Senão estaria na promotoria universal, crucificada, enlatada, esmagada pelos seus olhos que vertem tendências de uma educação sem noção.

Similaridades casuais não nos fazem crescer.
Se a bola batesse no gol e depois na tua testa, você riria mais e mais gostoso desta vida entediada cheia de pernilongos da dengue, da febre amarela e de quireras a nos perturbar...

Sinto muito por não bater continência pela manhã. Adoro acordar e perseguir as casas das baratas pra ver se alguma me diz bom dia. Pelo menos uma barata podia dizer bom dia pra mim.

Ia sair feliz e saltitante... São quimeras e todos deviam viver mais de quimeras do que de quireras...

ISABEL CARVALHO [1:01 AM]

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[ Quarta-feira, Novembro 19, 2008 ]

 


A LIBERDADE DE VER OS OUTROS

Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

– Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

– Água? Que diabo é isso?

Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa -forma, a frase soa como uma platitude – mas
é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.

Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.

Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras “virtudes”. Essa não é uma questão de virtude – trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.

Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica – pelo menos no meu caso – é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.

Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de “ensinar os alunos como pensar” é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. “Aprender a pensar” significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.

Lembrem o velho clichê: “A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.” Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.

Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.

Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.

Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.

De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um “boa noite, volte sempre” numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.

É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.

Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.

Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim – só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.

Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.

Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.

Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação “inferno do consumidor” não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.

Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.

Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como “não venerar”. Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar – seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.

No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.

O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.

O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.

Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.

Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência – consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor – daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: “Isto é água, isto é água.”

É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outro.

(Texto publicado na Revista Piauí - Edição de Outubro - Seção “Despedida” - DAVID FOSTER WALLACE
Um dos escritores mais admirados de sua geração, o americano David Foster Wallace se suicidou no mês passado, aos 46 anos, enforcando-se. Este texto foi tirado de seu discurso de paraninfo para formandos do Kenyon College, há três anos
)

ISABEL CARVALHO [10:46 AM]

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[ Quinta-feira, Novembro 13, 2008 ]

 
13/11/2008 - 12h04

Vaticano e Brasil assinam acordo jurídico sobre Igreja Católica
da Efe, no Vaticano

O Vaticano e o Brasil assinaram hoje um acordo que regulamentará aspectos jurídicos da Igreja Católica no país. O acordo foi assinado durante a visita realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao papa Bento 16.
Christophe Simon/Efe

No Vaticano, Lula se encontra com o papa Bento 16 e discutem projeto para igreja
O núncio apostólico no Brasil, Lorenzo Baldisseri, disse à “Rádio Vaticana” que o acordo defende “a personalidade jurídica da igreja para o pleno desenvolvimento de sua missão apostólica e pastoral”.
A assinatura do estatuto aconteceu no Palácio Apostólico, pouco depois da reunião entre Bento 16 e Lula.
Ao protocolar a assinatura, estavam presentes Lula, o secretário de Estado vaticano, Tarcisio Bertone; e os ministros de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, e o da Santa Sé, Dominique Mamberti.
Embora o papa não estivesse presente durante o ato, durante a audiência com Lula, Bento 16 expressou seu agradecimento ao presidente brasileiro pelo acordo que seria assinado pouco depois.
O Vaticano anunciou que não serão divulgados detalhes do estatuto jurídico assinado hoje, que, segundo fontes brasileiras, inclui “aspectos relativos à liberdade de credos e ao ensino religioso nas escolas públicas”.

ISABEL CARVALHO [3:23 PM]

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[ Domingo, Novembro 02, 2008 ]

 
É com urgência que este blog precisa de linhas ininteligíveis para alguns, mas muito importante para mim! Copos se estilhaçam como cérebros em explosões de granadas; cortinas esvoam ao vento, soltam-se com força em direção desenfreadas aos pensamentos... Pensamentos toscos, que nunca vieram à tona, batem como martelo no bife...
Algo não está bem. É um eu que passa por mim, diz oi, tchau, boa noite, parece desejar boas energias, mas não se importa com o outro eu, aquele eu que se esconde atrás da cortina esvoaçada para ver quem é o intruso que chega sorrateiramente para espionar minha mente e retirar dela mistérios.
Sou o eu que nasceu do jardim do anão, que brigou com o gigante pelo diamante sem valor enterrado pela velha corcunda, que nada sabia deste mundo torto, robusto, cheio de curvas e sensações lubrificadas por falsos olhares, por quimeras.

ISABEL CARVALHO [12:25 AM]

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[ Sábado, Outubro 25, 2008 ]

 
sem vontade de arrumar o armário
de passar a roupa
de murchar o ventre
de cair na farra
sem qualquer saudade de sua inexpressiva fisionomia
de seu temor pelo coletivo
de seu falso idealismo social...
uma baita dor que me lateja a nuca
me causa enjôo e me enoja deste caos mundano...
vou sair com os caçadores de tubarões
aprender histórias estranhas
deste tempo longíquo e também estranho
traremos naus repletas de crônicas imundas
jogadas nas lixeiras podres da humanidade
pelos quatro mares...
a navegar...
voltarei da caçada com a alma limpa e
a consciência mais
insana pra suportar
a novena das beatas que jamais se desvencilharão da
tradição e das tolices das regras.
VIVA O CAOS!!!

ISABEL CARVALHO [5:26 AM]

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esqueço o português quando brita o telefone no meio do raciocínio e dispersa a sensibilidade escassa pelos trovões de uma chuva bizarra!
ISABEL CARVALHO [5:05 AM]

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[ Quinta-feira, Outubro 16, 2008 ]

 
É com urgência que este blog precisa de linhas ininteligíveis para alguns, mas muito importantes para mim! Nos últimos dias copos se estilhaçam como cérebros explodidos em granadas; cortinas esvoaçadas pelo vento, soltam-se com força em direção desenfreada ao pensamento... Pensamentos toscos que nunca vieram à tona me batem como martelo no bife... Algo em alguém não está bem. É um eu que passa por mim, diz oi, tchau, boa noite, parece desejar boas energias, mas não se importa com o outro eu, aquele eu que sou eu mesma, que se esconde atrás da cortina esvoaçada para ver quem é aquele que chega sorrateiramente para espionar minha mente e retirar dela mistérios jamais compreendidos pelo eu de mim mesma. Sou o eu que nasceu do jardim do anão, que brigou com o gigante pelo diamante sem valor enterrado pela velha corcunda que nada sabia deste mundo torto, robusto, cheio de curvas e sensações lubrificadas por falsos olhares, por quimeras.
ISABEL CARVALHO [5:19 PM]

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[ Terça-feira, Agosto 12, 2008 ]

 
sistemas falham e várias sistemáticas me deixaram na mão...
mas de punho firme segui sem pretensão... também não queria causar, nem abalar estruturas que já vieram construídas desvitaminadas...
ah, mas uma vai, a outra vem...
como dizem: há rotatividade de mão-de-obra, cérebros, corpos...
o mundo é gigante e há pessoas por aí dando sopa e, geralmente, encontramos bagaceiras no meio do sopão e, tão logo percebido o tipinho asqueroso, trato logo de dar aquela despejada básica no lixinho da cozinha...
e a diarista já o botou pra fora no dia 1º de agosto
foi tarde o bagaço descuidado e perdido
salve a liberdade, cumade!

ISABEL CARVALHO [7:32 PM]

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[ Quarta-feira, Julho 30, 2008 ]

 
"mentiras sinceras me interessam"

abandono o percurso da fidelidade ao caráter
admiro os devotos da enganação
até que a morte os separem...
viva o sorriso sádico aos inocentes crédulos e sinceros...

ISABEL CARVALHO [12:00 AM]

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[ Domingo, Abril 13, 2008 ]

 
As serpentinas sorriem
o dentista desgasta os dentes como se tivesse autonomia para fazê-lo
e se não posso falar
escrevo
porque quando calada estiver
morta estarei na cova da velha corcunca que passou anos entalada
com suas idéias
com suas vontades
coçava a cabeça como se um monte de piolhos tivesse a comer seu cérebro e não sabia se cabeça escrevia com “esse” ou com “cê cedilha”
daí vinham vulcões
outras pessoas sem idéias que concordavam com outras com idéias de piolhos
sem contar os líderes engomados
levavam o povo no pau-a-pique
pic-nic
ninguém se tocava que tava sendo lesado
todo mundo achava que era legal
acreditava um no outro
que era uma grande barca de Noé e que quando terminasse cada qual iria sair emparelhado
acasalado
com um tostão do lado
e a vida iria levar até o fim
só na base do amor
mas do amor brota o leite
da flor brota o amor
pra alguns afoitos não interessam o amor
a flor
a vida
já disseram
Pare de pensar!
Quem pensa muito entra em conflito!
Conflito com quê?
Daí inventaram que era consigo mesmo, mas, porquê?
Pare de pensar!
Pare de escrever!
Pare de questionar!
Ah, mas se bem que podia imaginar que ali podia existir uma montanha e detrás da montanha um saci-pererê e você...
sempre existe lenda atrás de uma pessoa
toda fábula vem de um ser
todo ser vem de um animal
passo mal
animal
mal
bem
sexta-feira
santa
santificado aqueles que passam fome
amaldiçoados aqueles que comem muito
demagógicos àqueles que pregam Deus
porque Ele não pode se defender...
mas amanhã é dia alegre
porque sempre tem um judas para ser malhado...

(20 de março de 2008)
ISABEL CARVALHO [7:26 AM]

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[ Sábado, Fevereiro 16, 2008 ]

 
De créu em créu...

380 reais para 8 bilhões da mesma cifra é uma distância e tanto. Afinal, nos países latinos, principalmente no Brasil, a distância entre a camada dos 380 e a dos bilhões é sempre bem discrepante e vergonhosa. Melhor, como diria meu colega de letrinhas jornalísticas, esta distância é DESAVERGONHADA!!

O que a turma dos 380 reais faz com este conjunto de cedulazinhas? E o que aquela, que conseguiu lucrar somente em um ano, a cifra fabulosa de 8 bilhões, faz e fará com tanto dinheiro?

A turma das cedulazinhas é o que a turma dos bilhões fabulosos costuma chamar de Zé Povinho. Já a turma dos bilhões fabulosos é chamada pela turma das cedulazinhas, com uma pitada amarga de mágoa e inveja – com toda razão – de burgueses.

O Zé Povinho vive como pode. Ama gastar parte de seus 380 reais para ver e ouvir o incrível MC Créu, outra para passear na praça e comer churros, outra pra tomar o ônibus da madrugada de volta à periferia, outra pra tomar uma breja no bar da esquina e a outra... Acabaram as cedulazinhas... Ora, para onde foram?

Já eram... Já estão contabilizadas nos bilhões fabulosos do bom burguês. Na verdade, ele créu no Zé Povinho.

E de créu em créu, a turma dos bilhões fabulosos vê o fermento de sua massa crescer e o bolo a cada ano ficar mais saboroso. A caixa forte do Tio Patinhas é pequena perto do cofre desses burgueses nacionais. Ai... Mas, eles são ajudados... Tem um governo que atua para que o Zé Povinho ganhe apenas 380 cedulazinhas, pague um monte de juros, faça empréstimo em financeira de tanto ver comercial na TV, ganhe o bolsa-esmola e, agora, tem novidade gente!!!!

Vem aí o bolsa-geladeira! Isso mesmo! O Zé Povinho poderá levar sua geladeira velha, fazer um empréstimo bancário e levar uma novinha em folha. A idéia foi do Lula-lelé. Como pode? Ah, é para ajudar o burguês Gerdau... Siderurgia, sabe, esse negócio de aço vai render bilhões para esse burguês renomado e créu no Zé Povinho...

Mas, de novo, caramba!

Se o governo fosse maneiro e não existisse burguês, geladeiras deveriam ser doadas pra galera! Daí, também nem existiria Zé Povinho e nem créu...

E tem uma outra massa que nem chega a ser contabilizada como Zé Povinho, porque essa... Está na indigência, foi comida pelo créu do capital e agora vai de porta em porta, quando tem força, pedir aos crédulos um prato de comida.

Esses crédulos estão entre o Zé Povinho e os burgueses. Estão entre aqueles que conseguem ter por mês mais de 380 cedulazinhas e muito, mas muito menos de 8 bilhões delas. Estima-se que os crédulos, os remediados, abocanhem entre mil e três mil cedulazinhas, nada mal.... Mas, também nada bom...

Os crédulos pensam que são. Mas não são! Melhor são os mais sugados pelos burgueses, com maligna arquitetura política do governinho nacional. Ajudam no que podem o Zé Povinho porque têm consciência de que mais cedo ou mais tarde tornar-se-ão um deles. Os crédulos também se créus!

E de créu em créu não adianta crer. Enquanto os olhos não estiverem bem arregalados, a boca bastante aberta e a goela pronta pra dar um grito de socorro e impedir que esses bastardos políticos baseados no velho capital nos engulam, os burgueses vão continuar com seus bilhões. E nós, Zé Povinho tupiniquins de última categoria, ainda não na indigência, continuaremos com o governo que merecemos, com as suadas e contadas cedulazinhas e só levando créus.

ISABEL CARVALHO [7:29 AM]

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[ Segunda-feira, Setembro 17, 2007 ]

 
repeat please
please sleep
ISABEL CARVALHO [7:53 PM]

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[ Terça-feira, Junho 19, 2007 ]

 
Dias quando pensamentos circulam como hélices são propícios para reflexões. As aranhas tecem teias sem perceberem o tempo e o homem gasta seu tempo com o cérebro programado para criar. A criação é simplória, mas na maioria dos casos, exige conhecimento, técnica e um objetivo para haver razão. Tudo e todos têm ciclos. Mas, as demandas são rápidas. Então, cada vez mais, ficamos distantes das metas e dos desafios, acreditando que todos fazem mais e melhor que nós mesmos. Que todos, além de nós, correm para ganhar o ouro e serem melhores do que eles próprios. É infinita a aflição pelo tempo, pelo sonho, pela falta do quê fazer. São aflitas as horas quando passam e nos fazem calar diante da ausência do conhecimento. De tanto saber, como dizia o filósofo, nada sei. De mim se esvai o pó do celeiro gigante da infância bonita. De mim, a amnésia diária toma conta, e em dias que os pensamentos circulam como hélices, a memória se retrai. De todos, sou a pele desitratada que jamais retomará a textura infantil. Também, posso ser, se quiser, em plena madrugada, a angelical sabedoria. Com todas as formas e desejos, acima de todos os males infringidos, permaneço na curva da insônia por dias mais claros, ansiedade controlada e noites mais calmas...
ISABEL CARVALHO [2:43 PM]

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[ Segunda-feira, Abril 09, 2007 ]

 
Veio do nada num domingo introspectivo
reavivou minhas sensações sem qualquer consentimento
agora, cá estou, na delicada expectativa de sua presença
ISABEL CARVALHO [11:00 AM]

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[ Quarta-feira, Janeiro 03, 2007 ]

 
não é quem pensamos
é algo definitivo ou temporário
aí depende da conjuntura
surge e some de repente
volta novamente
é presente e onipotente

relação ambígua
há dúvida de sua veracidade,
temporário, utópico, sensacionalista,
ao infringir na tentativa de manutenção,
adoece, padece,
resplandesce,
nasce, adormece, acorda, estremece...

segundo dia do ano de 2007

ISABEL CARVALHO [11:50 PM]

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[ Quarta-feira, Dezembro 13, 2006 ]

 
um viva para o amor, outro para a flor, outro pro povo brasileiro e outro para nós!
beijos e abraços, estrelas e luas, sol e céu, verde, azul, vermelho, amarelo, tudo em pares ou ímpares, mas sempre, na perfeita harmonia terrestre...
ISABEL CARVALHO [10:45 AM]

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[ Domingo, Dezembro 03, 2006 ]

 
"Não pondero, sonho.
Não me sinto inspirado,
deliro."
(FP)
ISABEL CARVALHO [2:41 PM]

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[ Domingo, Novembro 05, 2006 ]

 
bem estar não é estar com alguém
é simples como estar bem
de bem
de bom
de
boa
ISABEL CARVALHO [6:32 PM]

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[ Sexta-feira, Novembro 03, 2006 ]

 
a curiosidade é tão e somente a vontade de saber
se há algo seu no desejo alheio

ISABEL CARVALHO [12:36 PM]

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[ Terça-feira, Outubro 17, 2006 ]

 
silêncio...
a noite é longa
você está pouco distante
mas
me conforto com seu semblante imaginário...
um dia, uma noite...
alguma hora nos encontraremos...
ISABEL CARVALHO [12:48 AM]

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[ Quinta-feira, Outubro 12, 2006 ]

 
Petals of the flowers and the salts on the sailings
Dead or alive they all have feelings
The fragrance the shade under my sleep
Is a message a sign a dream so deep
A voice I listen a vision I peep
It´s a gift of God and an order to keep
The seconds the minutes the hours and the days
Life should be lived in meaningful ways
It´s a gift when success and a trouble in chase
It´s what my belief and experience says
The blues in my eyes and the red on my heart
These colors when glow they teach me an art
To heal my wounds to take a restart
With feelings of a life a journey apart
ISABEL CARVALHO [1:09 AM]

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[ Terça-feira, Outubro 03, 2006 ]

 
ATUALIZAÇÃO EM BREVE

ELEIÇÕES 2006
ISABEL CARVALHO [2:50 PM]

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[ Quarta-feira, Setembro 13, 2006 ]

 
As notícias se repetem. Mudam, às vezes, as personagens e o cenário

Em 2006, a primeira frustração hilária - para os amantes futebolísticos - a eliminação da Copa do Mundo. Aos jogadores trilionários, com suas campanhas na mídia para os mais variados tipos de produtos, tudo bem. Saíram da Alemanha como se nada tivesse acontecido. Mal sabiam eles, que o sonho dos bilhões de brasileiros famintos por heróis em tempos de crise e miséria, sucumbiu ao trivial retorno à rotina utópica brasileira.

Pão e circo: será disso que o povo precisa?

Bom, sem esculhambar aos colegas brasileiros, que como eu engrossam o coro do descontentamento nacional, a grande tenda está montada para o espetáculo eleitoral.

Agora, surge uma futura segunda frustração. No aspecto político, há uma distância enorme dos políticos que almejamos daqueles que estão em campanha. Todos farinha do mesmo saco, a mesma ladainha e o mesmo blá-blá-blá.

Fazer o quê então? Explodir os rádios, os televisores e usar lança-chamas nos panfletos infindáveis que destruíram milhares de árvores para fazer alusão às "péssimas propostas" dos políticos ou aspirantes aos cargos públicos?

É hora de repensar os governos que tivemos, os interesses que eles tiveram e o que eles fizeram para nós, o povo.
É ridículo. Nem sei se o sistema político brasileiro deveria ser a farsa da democracia vigente. Também exausta estou de ouvir discursos marxistas que jamais são praticados. A anarquia seria uma saída, mas ela já está aí colocada para todos.
Capitalismo, socialismo, social-democracia, anarquismo, socialismo libertário...

Com os atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos murcharam, sua economia arranhada com os gastos inócuos com a guerra no Iraque. Bush investiu pesado no poderio bélico e o país do Tio San vive conturbado pelo medo, pelo desemprego, pela queda na renda dos americanos, enfim, as coisas por lá não estão maravilhas.

Enquanto a crise mundial afeta todo os continentes, os países da América Latina, inteligentemente, aproveitam-se do descuido de Bush e tentam alavancar a soberania, independência e levam suas intenções políticas mais à esquerda.

No México, depois da rebelião de Chiapas, ressurge outra, a de Oaxaca. Insurgência bárbara dos índios e pobres mexicanos. Bravo!

Venezuela e Bolívia avançam contra o imperialismo bravamente. Claro que nem tudo é perfeito. É sempre bom lembrar dos interesses, das benesses e do toma-lá-da-cá dos governos plantonistas. Mas, claro, não deixa de ser um passo fundamental para o grito dos excluídos latino-americanos.

E o Brasil...

Com Lula, não dá certo, com FHC não deu certo, com Collor também e com os militares, sem comentários.

Há uma paralisia geral em todos os setores e camadas sociais. As eleições não deveriam ser obrigatórias a meu ver. E a quem devemos depositar nosso voto?

Mensaleiros, sanguessugas, privatistas, criadores de pedágios, sucateadores dos sistemas básicos e essencias como saúde, educação, moradia.

Confesso que estou apática, inerte e indiferente a tudo e a todos. Quem será que poderá nos salvar!! Os amores, os sem-teto, a polícia, o PCC, Heloísa Helena ou Sassá Mutema? No nosso caso, nem Cristo salva! Viva a barbárie mundial!
ISABEL CARVALHO [3:48 PM]

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[ Quarta-feira, Agosto 02, 2006 ]

 
"Liberdade não é uma condição em que nos encontramos isentos de toda e qualquer responsabilidade sobre nossa vida, mas, ao contrário, é quando nos engajamos num projeto político-filosófico e o assumimos em nosso cotidiano, dando vida a ele." (Carlos Rodrigues Brandão)
ISABEL CARVALHO [7:16 PM]

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[ Sexta-feira, Julho 21, 2006 ]

 

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro


Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.


Alberto Caeiro


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

ISABEL CARVALHO [11:07 AM]

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[ Sexta-feira, Julho 07, 2006 ]

 
Parada Gay: mais de 2 milhões na Paulista e quase nada de política


Como havíamos previsto no artigo Orgulho do que e para quê?, a Parada de Gays Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) de São Paulo foi marcada por uma gigantesca contradição. Tendo como tema "Homofobia é crime", o evento, apontado pelo segundo ano consecutivo como o maior do mundo, reuniu "segundo dados da PM" cerca de 2,4 milhões de pessoas. Número "que mesmo tendo sido questionado por participantes, que falavam tanto em menos gente quanto em muito mais gente" está longe de poder ser desprezado.

Polêmicas numéricas a parte, o que realmente se destacou na Parada não foi nem o já conhecido mar multicolorido de pessoas que tomou a Avenida Paulista nem a empolgante alegria e bom humor de seus participantes. O destaque, infelizmente, ficou por conta de uma gigantesca ausência: a quase completa falta de referências às ações práticas e políticas necessárias para que, de fato, possamos transformar a homofobia e todo e qualquer tipo de discriminação em crime.

Apesar das milhares de bandeirinhas pintadas nas cores do arco-íris e distribuídas entre os participantes com a frase "Homofobia é crime", os pouquíssimos discursos quase não foram escutados, abafados pela música de quase 20 trios elétricos que inundaram a avenida.

E o tom foi de uma despolitização assustadora ou uma constrangedora hipocrisia, principalmente, por parte dos representantes das elites governantes, de todas as matizes e esferas.

"Brasil sem homofobia" só no papel ou em dias de festa

Representando o governo federal, Sérgio Mamberti abriu a parada afirmando que "por meio da luta podemos construir um Brasil mais justo". Um discurso que não pareceu convincente nem quando interpretado pelo ótimo ator que Mamberti já demonstrou ser.

Afinal, ele estava ali como representante de um governo que no que se refere aos direitos de GLBT "como em todo o resto" também prometeu "radicais e contundentes" mudanças e nada mais ofereceu além de documentos com títulos pomposos, mas completamente vazios tanto no que se refere às ações práticas quanto às dotações orçamentárias.

Numa demonstração de que a hipocrisia do governo e, particularmente, de Lula "cujas afirmações homofóbicas já fazem parte da História" não tem limites, o presidente ainda mandou enviou uma mensagem à Parada, se auto-vangloriando pelos "esforços que vem desenvolvendo desde o início do mandado" com vistas a promover a dignidade e a defesa dos direitos dos GLBT's em campos tão variados como a educação, a saúde, os meios de comunicação e demais esferas sociais.

O prefeito Gilberto Kassab (PFL) voltou a afirmar neste sábado que esse será o último ano dos grandes eventos na avenida, com exceção do Réveillon e da Corrida de São Silvestre. Mas, se depender do presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, Nelson Matias Pereira, o assunto ainda deve gerar polêmica. "Sairemos em defesa da Paulista. Vamos mostrar para Prefeitura e Promotoria que é o melhor local pela logística e segurança", justificou.

"Parada ou balada?"
O clima de despolitização do evento repercutiu na imprensa em manchetes como a do Estado de S. Paulo, no dia 18 de junho "Parada se assume como balada", mas foi diretamente estimulado pelos próprios organizadores da Parada, que já em sua abertura centraram suas falas na disputa para que a Parada continue acontecendo na Avenida Paulista "uma causa mais do que justa, principalmente diante da resolução da prefeitura contrária a que isto ocorra" e no clima "festivo" e no "beijaço" como grande formas de protestos.

Apesar de não termos nada contra a festa e os beijos públicos, como forma de dar visibilidade à livre orientação sexual de todo e qualquer um, é impossível concordar que um evento que reúna mais de 2 milhões de pessoas se resuma a isto, principalmente na capital de um estado que carrega o lamentável recorde, segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia, de ter o maior número de assassinatos de homossexuais por ano, com a média de 21 mortos e marcados pela impunidade.

Como era de se esperar, o tom dado pelos organizadores foi o mesmo seguido pelos demais trios-elétricos, inclusive por aqueles levados pela UNE e pela CUT que, de forma nada surpreeendente, de forma alguma destoaram do clima de despolitização.

PSTU e Conlutas marcaram presença
Apesar de nossas públicas e notórias diferenças com a Parada, a Secretaria GLBT do PSTU de São Paulo "acompanhado por companheiros e companheiras da Conlutas" mais uma vez se fez presente com suas bandeiras decoradas com as cores do arco-íris e com o propósito de discutir com os participantes que a luta contra a discriminação de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros "assim como pelas mudanças sociais que possam levar ao fim da homofobia" não pode se resumir a Paradas simplesmente e muito menos a eventos que proposital e sistematicamente se recusam a apontar para à ação e à luta direta contra os opressores e a exploração capitalista.

Wilson H. Silva
da redação do Opinião Socialista e membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU



ISABEL CARVALHO [9:55 AM]

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[ Sexta-feira, Junho 23, 2006 ]

 
A bela tentativa de dizer o belo à beleza maior de minha adoração linda!!


As mais belas palavras não são as mais belas quando ditas pela boca de um qualquer.
Também não são verdadeiramente belas as palavras se ditas pela boca de um desamor.
As mais belas palavras sempre quis dizer:
Mas, engasgavam na garganta, quando não no peito, quando ainda não passavam de simulações cerebrais...
As mais belas palavras sempre quis dizer,
Mas nosso tempo é corrido e elas se desfacelam entre meus dedos,
Como se fossem cacos se recompondo de vidros esbugalhados.
As mais belas palavras, agora direi, porque tenho tempo e elas resolveram desenroscar dos neurônios.
Não pela boca, mas através dos toques leves no teclado.
A visão aqui não é mais a mesma
Entre carros, sucessivos corações.
Na multidão, caem gotas da chuva pulsando um tique-taque...
Tudo é colorido quando muito negro está o quadro.
Com você a vida é tão bela
Que ora perco as belas palavras
De tão bela que parece em minha tela no lugar das letras.
Confusão malabárica faço pra você entender
Que tento o belo e nada digo, pois de tanta beleza leve,
Proporciona-me o infinito do arco-íris lindo,
Tão lindo que o pote de ouro do final
Está no começo.
E todas as coisas sempre estarão no meio,
Sem causa, nem efeito,
Sem começo, nem fim...
Porque assim quero
Você sempre no começo
E todo o belo ao meu redor
E se há anjo, você é o maior deles,
A liderança angélica na Terra.
E com você não há dor, não há intervalo, não há curva,
Nem reta, nem nada...
Tudo fica inerte, somado a tanta beleza,
Que de tão belo espero, já sinto eterna.
Eterna é a paz que ao seu lado repousa,
E toca minha face com ausência de vergonha
O mínimo torna-se micro,
E o vazio, unitário.
De tantas belas palavras,
Você é a descrição mais pura da beleza literária,
Que pousa leve...
Calma!!!!! Eu adoro você!!
E o tempo acaba,
E o silêncio rompe,
No grito belamente louco
Da minha intenção
De lavar sua alma
Com a fragrância singela
Do Deus mais puro que lhe criou
Depois criou o amor, depois as belas palavras,
Depois o mito e a vontade imensa de pegar na sua mão.
E não adianta reflexão,
Porque atravesso a esquina, visualizo o céu e alto descambo a correr em disparada e detonar um
EU MORRO DE ADORAÇÃO BELA POR VOCÊ!!

ISABEL CARVALHO [3:11 PM]

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[ Quinta-feira, Maio 18, 2006 ]

 
As verdadeiras causas do caos



Asdrúbal Barbosa, de São Paulo (SP)
Fonte: site http://www.pstu.org.br/



As verdadeiras causas da violência não devem ser buscadas simplesmente no poder de organização ou centralização do crime organizado. Existem dois problemas fundamentais, que nunca são encarados pelos governos do PSDB-PFL ou do PT: a miséria e o desemprego causados pela economia capitalista neoliberal, e a corrupção da polícia e da Justiça.

O imperialismo e a burguesia nacional, Lula e Alckmin, só respondem à violência com mais repressão. Durante décadas, estes governos lançaram mão de um aumento da polícia e dos presídios para controle da criminalidade, mas também para manter a concentração de renda e a pobreza. Esta política levou à maior crise de violência em nossa história.

O fundo dessa violência geral está na profunda desigualdade social existente no Brasil, produto do neoliberalismo. Não existe solução para a violência sem emprego, educação e bons salários para todos. Isso significa que a violência vai seguir crescendo, enquanto o capitalismo neoliberal existir. Enquanto a juventude empobrecida deste país seguir sem esperanças e sem futuro, as máfias do narcotráfico e dos seqüestros vão seguir tendo quem recrutar para suas gangues.

Aumentar simplesmente o número de policiais e seu armamento, ou incorporar o Exército nas tarefas de polícia, só vai fazer aumentar também a corrupção. De acordo com o presidente da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, "uma organização criminosa não pode funcionar sem cumplicidade dentro da polícia".

Como explicar que as lideranças do PCC comandem esses atentados desde dentro das prisões, sem falar dos celulares e das armas que lhes são passadas por policiais e funcionários corruptos?

O sistema das prisões está falido, superlotado e decadente. As administrações são ineficientes, os carcereiros não são qualificados e não há projeto de reintegração e recuperação dos detentos. As prisões brasileiras são conhecidas mundialmente como centros de tortura e maus tratos. Em todo o país, são conhecidas como universidades do crime. A verdade é que o sistema prisional brasileiro é um ``campo de concentração de pobres".

Os policiais ganham baixos salários, têm uma má formação profissional e vivem regimes de tensão permanente. A polícia de São Paulo mata mais do que as polícias de todos os países da Europa juntos, e sua impunidade é reconhecida, inclusive, pelos dirigentes da instituição.

Em São Paulo, os 130 mil policiais (compare com os 250 mil soldados do Exército Brasileiro) não impediram que o estado passasse a ser o de maior criminalidade do país.

Quanto mais policiais, mais repressão, mais corrupção e menos segurança. Esta tem sido a experiência concreta do povo brasileiro. Os tribunais corrompidos agem com preconceito de classe e raça. Muitos juizes, promotores e advogados são vinculados à criminalidade, ao tráfico de influência e à venda de sentenças. Assim, incentiva-se a violência institucionalizada, que alimenta a violência generalizada.

Enquanto isso, o governo federal é fartamente conhecido como corrupto, e o Congresso Nacional como um covil de bandidos. Todos se aproveitam da impunidade generalizada.

Para se combater de verdade a criminalidade, a primeira medida seria colocar na cadeia os políticos corruptos que habitam o Congresso e o governo federal.

ISABEL CARVALHO [3:26 PM]

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[ Quarta-feira, Maio 17, 2006 ]

 
Dezenas de mortes: São Paulo sofre consequências do descaso

Os ataques orquestrados pelas lideranças do PCC instalaram o caos absoluto em todas as regiões de São Paulo. Os atentados sangrentos e as mortes violentas revelam o abandono em que se encontra a Segurança Pública em São Paulo, depois de doze anos de péssima administração PSDB-PFL.

Essa política social, que só gera desemprego e margina-lização,ocasiona a constituição desse quadro, repleto de desdobramentos trágicos e insólitos. Enquanto a política de Segurança Pública se traduzir tão somente na construção de mais presídios, com policiais militares mal remunerados, novas rebeliões surgirão. E serão cada vez piores. Esse é um retrato da deterioração de um modelo econômico, político e social. Ou se extingue esse modelo, ou a guerra sempre se repetirá.

Várias agências bancárias foram atingidas por tiros de metralhadora e bombas. Na segunda-feira, 15, em Avaré, as agências encerraram seu expediente às 14 horas. Assim, destroços da crise se abateram até sobre bancários, que, por alguns dias, também se sentiram alvos dos ataques. E, por mais absurdo que um acordo como esse possa parecer, vem à tona a estranha notícia de uma composição entre o Governo de São Paulo e a principal liderança do PCC, Marcola, que deve, ao menos, resultar num cessar-fogo. Felizmente, parece que nenhum bancário deverá sair fisicamente ferido dessa triste história do cotidiano paulista.

ISABEL CARVALHO [3:44 PM]

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[ Quarta-feira, Abril 05, 2006 ]

 
Interessante conhecer os argentinos. Ao contrário da maioria que expõe os irmãos portenhos como inimigos, nada de guerra na terra deles, pelo menos comigo, irma brasilenã.
Além do charme e elegância dos hermanos, principalmente os homens, que se vestem impecavelmente e são verdadeiros gentlemen, portam-se bem diferentes dos homitos brasileiros. São educados e jamais se jogam para as mulheres com chavecos vulgares, coisas do tipo.
Lá, pode-se sentar em cafés, restaurantes, bares - ou botecos - sem ser incomodada e passar longas horas sob leitura, bebericando cafezitos (não tão bons quanto os nossos) ou algumas garrafas de maravilhosos vinhos ou ainda a única cerveja argentina, a Quilmes, que deixou muito a desejar. Ai, que saudade da velha skol - sem marketing ao produto, por favor.
Buenos Aires é puro verde, cidade plana que permite caminhadas agradáveis e incansáveis. Quando cansar, poderá encontrar grandes e belas praças como as de Recoleta e as de Palermo - onde pode dormir, tomar banho de sol ou apenas contemplar. Nada de violência. Muita paz para uma capital.
Fiz amigos na Argentina. E os argentinos são hospitaleiros e meio loucos. Uma das minhas amigas portenhas fez questão de passar dois dias comigo e mostrar detalhes da cidade. Apesar de estar hospedada no Waldorf (deixou a desejar), fui convidada diversas vezes para me hospedar na casa dos nossos "inimigos" argentinos. Mui gracias!
De volta à terra do samba, sou comunicada de que amigos portenhos chegarão em breve em minha casa! Mui bien...
OBS: essa história terá sequência de acordo com meu tempo disponível para narrá-la!
ISABEL CARVALHO [4:48 PM]

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Siricutico! Da diarista ao relógio de ponto. Ou ao ponto sempre enaltecido ao bater menos.
Mais ou menos, passa por valas, fendas, buracos e sempre acaba desenganado pelos neologismos,
neocriaturas, neoatividades...Natividade! Cadê?

ISABEL CARVALHO [4:34 PM]

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[ Quinta-feira, Março 23, 2006 ]

 
Aqui à beira-rio tudo é tranquilo, calmo e distante. As horas passam saudáveis e nenhuma notícia existe. Não há fatos, nem correria, nem discórdia, nem turbulência humana que acarreta estresse. Tudo é brilhante, por enquanto. Em breve, a rotina voltará e tirará o brilho de tudo e no lugar da beleza será inserido o corre-corre, a competição, o furo, a barriga, o ganha pão sem perdão. Preparo a alma para alavancar sucessos, gafes e micos... Tô quase pronta na berlinda!!
ISABEL CARVALHO [1:49 PM]

Recados:

[ Quinta-feira, Março 09, 2006 ]

 
Infelizmente, aqui em BA a página do meu blogger ñao abre. Uma nova janela se abre e diz: página exibe conteúdo inapropriado. Nao entendo se sao as leis daqui ou... Isso sem contar que o teclado esta configurado de tal maneira que o arroba é .... ih esqueci m ah al 64: isso é o arroba dos portenhos. Tenho visto pouco até agota. CCheguei já madrugada e cansada apaguei. Agora, tô tentando achar um rumo para minha meta turística que por estar só ainda é zero.
Meu portunhol tá horrível e espero em dois dias já me comunicar como eles. Aqui eles vendem tudo, sao gentis, grossos, educados, simpaticos....Calmaque ainda é o primeiro dia. Até la vista!!
ISABEL CARVALHO [12:50 PM]

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[ Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006 ]

 
AMOR DA MINHA VIDA
ÊTA MOLEQUE, CABRA DA PESTE,
TE AMOOOO
ISABEL CARVALHO [11:15 AM]

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[ Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006 ]

 
Coisas acontecem sem querer. Erro, incidente, indevido. Palavras fogem do acaso e em teu semblante perco meus sentidos, embriago-me, desligo-me do percurso inacabado, esquisito. Sempre às segundas meus pés tocam o chão como se firmassem como algo concreto e absoluto. Na terça, voltam a flutuar e, novamente, perco-me com as idéias. Uma coisa é certa, você, só você, faz sentido e é motivo crucial para me fazer viva. Notícias são apenas consequências da história humana e parte do ganha pão diário. Mas a matéria exclusiva, como digo sempre, é pra você.
ISABEL CARVALHO [2:32 PM]

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[ Terça-feira, Janeiro 24, 2006 ]

 
SOBRE RECESSO...

recesso é retrocesso
quem adere a ele perde-se no processo
histórico, casual, rotineiro

recesso é coisa de político descompromissado
com as idéias boas,
com as ideologias

aderi ao recesso porque sou menos importante
do que as idéias

recesso á algo preguiçoso
ora,
curto uma ideologia recessiva
por que os genes recessivos
têm olhos claros

então, clarão às vidas raras,
excessivas,
frondosas,
benéficas e resistentes
às idéias progressistas.
ISABEL CARVALHO [1:50 PM]

Recados:

[ Segunda-feira, Dezembro 26, 2005 ]

 
RECESSO
ISABEL CARVALHO [5:41 PM]

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[ Terça-feira, Novembro 22, 2005 ]

 
Lobo louco por Julio

Senhor Lobo não veio. Esperava ansiosa a tarde toda pelo todo-poderoso da maldade, mas nada. O dono da banca da esquina disse-me que ele havia passado por lá furioso, babando, louco à procura da presa. Logo, avisada, a menina partiu disparada para a casa dos avós.

Adentrou e encontrou a mesa com um belo café, bolo de fubá, espigas de milho cozidas e uma porção de caracóis húngaros, deliciosamente preparados por dona Elvira. Sentou-se e inventou uma prosa fiada para os avós pensarem em algo.
Não tardou e o Sr. Lobo deu um toc-toc na porta de madeira emperrada. Com a lentidão dos passos do avô, Lobão, furioso, soltou o pé e POW!! Com dentes enormes, correu em torno da mesa atrás da menina que, desesperada, clamou por tudo de bom que pudesse ajudá-la.

Nada, nada, adiantou. Sr. Lobo a segurou e exigiu como condição para não devorá-la que cantasse todas as músicas de Julio Iglesias. A menina sumiu dentro da bocarra do animal. Sr. Lobo, quase satisfeito, retornou para sua toca e ouviu pela noite adentro a melodia "Tu seguirás meu caminõ, io seguirei tu caminõ...."

ISABEL CARVALHO [11:34 AM]

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[ Quinta-feira, Outubro 27, 2005 ]

 
a hora não passa
passa e repassa
e penso que nada sei
e penso não ser filha do rei
pra decretar o ócio
ISABEL CARVALHO [2:23 PM]

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ressaca de referendo
semana meia-boca
viva marilyn manson
ISABEL CARVALHO [2:21 PM]

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Lula mantém arquivos da didatura fechados após 30 anos da morte de Herzog

No dia 22 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, aos 38 anos, casado e pai de dois filhos, foi assassinado pelos militares em plena época da ditadura.

Herzog atuava como diretor de jornalismo da TV Cultura. Lá, defendia a prática de um jornalismo profissional que não fosse "servil" ao estado e que mais do que "educativo" ou "cultural", fosse "público". Para Herzog, o jornalismo não deveria propor um "monólogo", mas um "diálogo com a sociedade", que superasse todo tipo de "paternalismo" e incorporasse "os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige".

Em 1975, enquanto buscava implementar suas idéias de um "jornalismo público", Vladimir Herzog foi chamado para depor no prédio do DOI-CODI (Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna), na capital paulista, para prestar esclarecimentos sobre o seu envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro.

No DOI-CODI, foi brutalmente torturado sob o comando do capitão Ramiro e terminou assassinado quando se recusou a assinar o depoimento. Seu corpo foi arrastado até uma cela e pendurado numa grade simulando suicídio.

O assassinato de Herzog transformou-se em escândalo nacional e foi decisivo para o movimento que levou à abertura política no Brasil. Em 1978, a Justiça declarou a união responsável por sua morte.

Lula calado

O governo Lula, que prometeu não repetir os feitos de FHC, ignorou os apelos para que os arquivos da ditadura militar fossem abertos. No início de seu governo, na crise militar desencadeada por uma nota que seria absurda até mesmo no governo Geisel e com a divulgação de fotos mostrando a tortura praticada pelos militares, jogou fora a oportunidade de enquadrar de vez as Forças Armadas e levá-las a se desculpar pelo golpe militar de 1964.

Lula empurra empurra com a barriga, a decisão de acabar com o sigilo eterno de documentos oficiais e mostrar a sociedade as atrocidades cometidas, inclusive contra muitos petistas que hoje estão no governo.

Vale lembrar que FHC, antes de terminar seu mandato, assinou um decreto permitindo que documentos ultra-secretos fiquem em sigilo por 50 anos, com renovações infinitas. Lula poderia contribuir para o processo de amadurecimento democrático brasileiro e aberto os arquivos. Até o Chile já abriu seus arquivos da ditadura de Pinochet. Mas não o fez porque agora é parte do sistema burguês e opressivo que um dia combateu.

ISABEL CARVALHO [11:03 AM]

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[ Terça-feira, Outubro 04, 2005 ]

 
Anarquia generalizada: NÃO AO DESARMAMENTO!!

Nada funciona. Então, quebra-quebra. A melhor maneira é barbarizar. A situação está caótica. Governo desenfreado, povo alienado pelo próprio prato de comida. E as coisas continuam sem funcionar...

Desarmamento ao relento. Tanto assunto importante pra resolver e lá vem desgoverno, de novo, bolar um referendo para o povo esquecer que sofre. Na última campanha do inóquo governo Lula pra desarmar o povo - aquela que deram merrecas pelas armas depostas - as melhores armas recebidas e estocadas desapareceram... Desarmou de um lado, armou o outro. Desarmou o fraco, armou o forte poder podre!

A quem interessa o desarmamento?
Aos governos corruptos de plantão, aos ricos que temem por suas riquezas roubadas, aos imperialistas, aos latifundiários que tungaram as capitanias hereditárias então tungadas dos índios, ao FMI... A questão político-social da violência ninguém assume. O problema está nas decisões políticas e não no porte de arma, caramba!!

Ora, ora, a hipocrisia é cada vez maior. E os mais penalizados, aqueles que recebem um salário mínimo quando encontram emprego, assistem a Globo aos domingos e são ludibriados e ficam encantados com o SIM dos artistas engomados, que põem uma graninha no bolso pra levar adiante o espetáculo do pão e circo.

E todos continuamos como gado a caminho da matança.

Aos reis, a bonança! Aos súditos, a guilhotina, a barriga vazia, a censura, o direito de permanecer calado e engolir um sistema de saúde precário, a farra dos banqueiros, as altas taxas de juros, os impostos cada vez maiores, o sucateamento total da educação...

Eis a lógica do capital: quanto mais ignorante, melhor!

Não ao desarmamento! Fora governo corrupto traidor!

É preciso desarmar o Bush!!
ISABEL CARVALHO [11:44 AM]

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[ Terça-feira, Setembro 20, 2005 ]

 
em nome nada

saudade do penhasco dourado
da terra fatiada de borbulhas ao horizonte
quando o tempo é negro nada teme
a grandeza daqueles que não fazem falta
pede a alma leve vagueia
esperta fica ao lisongeio pesseio pelo beco
escassa liderança da paixão
revelo ao relevo do nome
ao vento fraco do medo grande
pensa que o tempo não tem jeito
calma sem pressa em devaneio
solidária ao credo que merece
espera me aquece e enlouquece

ISABEL CARVALHO [4:24 PM]

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[ Sexta-feira, Julho 15, 2005 ]

 
PUNK: trinta anos de protesto

Quincas Rodrigues, do Rio de Janeiro (RJ)


Era fácil ser jovem nos EUA e na Europa, nos anos que sucederam a Segunda Guerra Mundial. Na chamada Era de Ouro do capitalismo, a economia crescia continuamente, os níveis de desemprego eram irrisórios, e os salários cresciam junto com a produção. Era o nascimento da sociedade de consumo de massa, onde os desejos eram facilmente preenchidos pela compra de bens materiais.

Em meados dos anos 1960, este arranjo social é posto em cheque. Os movimentos sociais de 1968 aparecem como uma fratura, um sinal do esgotamento desse modelo econômico. A economia entra em um período conhecido posteriormente por estagflação (estagnação econômica e inflação), o desemprego aumenta, e os EUA começam a viver em um pântano no Vietnã. O brilho da Era de Ouro se apaga de vez. Os anos a partir de 1973 seriam, de novo, de crise.

"No Future"
É neste contexto, de crise social, desemprego crescente e aumento das desigualdades, que surge o movimento punk, através de uma juventude sem futuro que resolve voltar-se contra este estado de coisas. Uma geração que, insatisfeita com tudo, invoca o espírito da mudança. Jovens operários, pobres e desempregados de Londres e Nova Iorque, que não enxergam perspectivas de futuro neste sistema e se revoltam.

A resposta à repressão e ao moralismo da época foi dada usando o próprio corpo como forma de expressão. Contra o conservadorismo da sociedade burguesa, as roupas do dia-a-dia foram rasgadas, e receberam mensagens, símbolos, alfinetes e correntes, com um visual que fugia aos padrões de todo tipo de modismo e consumismo. Os cabelos "coloridos, moicanos ou espetados" também chocaram a sociedade e os bons modos.

Os punks queriam mostrar seu repúdio a todas as formas de fascismo, racismo, sexismo e autoritarismo, com boicotes, passeatas e panfletagens. Seguindo o lema faça você mesmo, proliferaram Fanzines (publicação independente dedicada a um público específico), com colagens onde divulgavam sua cultura anticapitalista.

Como base para todo este inconformismo social, vinha a música, refletindo todo tipo de frustração desta juventude. O som da metade final da década de 1970, o rock progressivo, com músicas que tinham mais de dez minutos e solos de guitarra intermináveis, representava tudo o que eles rejeitavam. Era o rock como obra de arte, conceitual, caro e superproduzido, egocêntrico, representado por bandas como Yes, Emerson Lake and Palmer, Gênesis etc. Para os jovens do movimento punk, este som era chato e alienante, perdera sua identidade. As letras falavam de coisas abstratas, que não faziam sentido nenhum para os jovens daquela época. A música deveria ser direta, mais acessível e expressar a indignação. Nada de rebuscamento e teoria. O som punk poderia ser tocado por qualquer um. Três acordes bastavam.

Em 1974, aparece a primeira banda punk, os Ramones, que, contra todo modismo progressivo, fazem um som simples e direto, com músicas de dois minutos que causam impacto imediato. Os Ramones reviviam o espírito do rock original dos anos 1950 e 1960, uma sonoridade que influenciou diretamente a cena punk inglesa. Pronto, agora, todos podem ter suas bandas! Como acontecia freqüentemente após os shows dos Ramones, em Londres, alguns garotos que assistiram o show resolveram montar suas próprias bandas. Entre essas pessoas estavam Joe Strummer, que formaria o The Clash e Johnny Lydon (que devido aos seus dentes estragados ficou conhecido como Johnny Podre), que se tornaria vocalista dos Sex Pistols.

Há uma polêmica sobre quando e onde teria surgido o punk, e se este estaria completando 30 anos ou mais. Esse debate pode ser resumido assim: se em Nova Iorque surgiu a primeira manifestação musical Punk, foi depois, em Londres, que o som explodiu como movimento. É lá que o punk deixa de ser substantivo, no caso de vagabundos e delinquentes, para se tornar um pólo aglutinador de toda uma geração inconformada.

Em 26 de novembro de 1976, o Sex Pistols lançam o single "Anarchy in the UK", que representava um pouco da ideologia punk: "eu sou um anti-cristo, eu sou um anarquista, não sei o que quero, mas sei como consegui-lo". Contra uma sociedade moralista e conservadora, Johnny Rotten diz pela primeira vez na televisão um palavrão (fuck) num programa às 5 da tarde. O apresentador do programa foi suspenso, e toda imprensa fez uma cobertura completa do acontecimento com manchetes de primeira página. O punk fora longe demais e a gravadora EMI rescinde o contrato com os Pistols e recolhe o disco das lojas.

Porém, o movimento punk não pode mais ser sufocado. Bandas como JAM e The Clash assinam com outras gravadoras. Em junho de 1977, os Pistols, mais uma vez, chocam o conservadorismo inglês. Em pleno jubileu da rainha, os Pistols lançam outro single "God Save the Queen", que diz: "Deus salve a rainha e seu regime fascista". É a revolta dos marginalizados do sistema contra a hipocrisia. Na Inglaterra, não se falava em outra coisa.

O movimento punk se espalha. Em novembro de 1977, os Pistols lançam um dos discos clássicos do punk-rock, "Never Mind the Bullocks" e saem em turnê pelos EUA. Quando a turnê chega ao fim, a banda também termina. Uma aparição rápida e explosiva.

Os Sex Pistols não foram a primeira banda punk, mas sem dúvida, a que fez do punk um estilo de vida e musical conhecido. No entanto, não deixou de lado o apelo comercial e de marketing, com Malcolm McLaren produzindo todo o visual da banda ou quando troca o baixista Glen Matlock por Sid Vicious, amigo de Johnny e que mal sabia tocar baixo, mas representava melhor o "estilo punk".

O Começo do Fim do Mundo no Brasil
O movimento punk no Brasil surge em São Paulo, vindo dos subúrbios. Motivos não faltavam para um movimento de rebeldia jovem no Brasil. O país vivia sob uma ditadura que sufocara os movimentos sociais e, nesse momento, estes estão ressurgindo com grande força. O punk também surge nesse novo contexto.

Uma juventude que entendeu o recado do movimento lá fora e adaptou-o à realidade local. As primeiras bandas punk aparecem em 1978, mas somente em 1982 é lançado o primeiro disco punk, "Grito suburbano", com três bandas: Olho Seco, Inocentes e Cólera. A realização do festival "O Começo do Fim do Mundo" foi o primeiro grande evento punk realizado no Brasil. Em manifesto aberto ao público, os punks declararam: ``Nosso movimento surgiu numa época de crise e desemprego com tal força que logo se espalhou pelo mundo, e cada um, à sua realidade, adotou esse tipo de protesto, punk..." Clemente Tadeu, o vocalista de Os Inocentes, era mais direto: ``Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores do Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer``.

Após 30 anos, ainda existem muitas bandas e jovens punks. Embora a sonoridade e a atitude do movimento continuem influenciando muitos grupos (como Nirvana, Green Day, Offspring dentre outras) e a música como um todo, o caráter contestador que ia dos costumes às questões políticas, infelizmente hoje permanece adormecido na maioria das bandas e artistas.

Texto publicado no jornal Opinião Socialista - Julho 2005


ISABEL CARVALHO [4:26 PM]

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[ Segunda-feira, Julho 04, 2005 ]

 
Governo petista sofre novas acusações de corrupção

Tentativa de acordo com PMDB fracassa e desgasta ainda mais Lula

Em seu depoimento à CPI dos Correios, o deputado Roberto Jefferson voltou a denunciar o esquema de corrupção dentro do governo petista. Segundo ele, há um esquema de desvio de dinheiro a partir de Furnas Centrais Elétricas que lhe havia sido descrito pelo diretor de Engenharia da estatal, Dimas Toledo.

Na empresa sobrariam R$ 3 milhões por mês. Desse total, R$ 1 milhão iria para o PT nacional, pelas mãos de Delúbio Soares, tesoureiro do partido. Outro R$ 1 milhão iria para o PT de Minas Gerais e o restante seria dividido meio a meio entre a diretoria de Furnas e um grupo de deputados do PSDB que migraram para a base aliada.

Associados a essa denúncia, novos indícios acerca da atuação do publicitário Marcos Valério, aliado do PT no esquema do mensalão, complicam ainda mais a vida de Lula. Para tentar abafar a crise que se instalou no governo, Lula anunciou uma coalizão com o PMBD, partido fisiologista que abriga vários corruptos da política nacional, como Renan Calheiros, Sarney, Quércia, Garotinho e sua esposa, além do presidente Michel Temer.

Em troca do apoio dos peemedebistas no Congresso para tentar brecar as denúncias de corrupção em seu governo, Lula ofereceu os ministérios das Minas e Energia, Integração Nacional, Saúde e das Cidades que controlam enormes verbas. Outra possibilidade aventada seria a do PMDB manter os dois ministérios que já possui, Comunicação e Previdência e escolher mais dois.

O PMBD está dividido entre os que querem cargos para se beneficiar das verbas e os que estão de olho nas eleições do ano que vem e temem um desgaste ao se associar ao governo petista. Vejam a que situação chegou o governo Lula: é rechaçado pelo PMBD.

Blindagem

O PT e os partidos governistas tentam blindar o presidente Lula de todas as denúncias de corrupção que envolvem o seu governo. A própria oposição (PSDB e PFL) também tenta desgastar o governo de forma que ele se enfraqueça até as eleições do ano que vem. FHC, Serra, Aécio Neves e o próprio Roberto Jefferson não querem que ocorra no Brasil o que aconteceu na Bolívia e Equador, países onde os trabalhadores se cansaram de tanta corrupção e foram às ruas exigir a renúncia de presidentes corruptos.

O argumento dessas pessoas é que Lula não sabia de nada. Mas o presidente sabia que Jefferson é um corrupto, líder da tropa de choque de Collor, sabia que o PMDB agrega vários nomes envolvidos em maracutaias, sabia da liberação de verbas em emendas parlamentares. E ainda vem na maior cara-de-pau afirmar que vai apurar tudo.

Os esforços do governo são patéticos ao dizer que as instituições investigam as acusações com rigor. Não se tem notícia de algo importante revelado pelo ministro da Justiça ou pelo controlador-geral da União. Lula quer que todas as investigações terminem em pizza para preservar o seu mandato.

A CUT, o MST e a UNE saíram em defesa do governo corrupto, publicando uma "carta aos brasileiros", na qual acusam as elites e a grande imprensa a tramarem com o governo Bush um golpe para impedir a reeleição de Lula.

Por trás dessa paranóia conspirativa está o interesse dessas entidades traidoras em continuar recebendo verbas do Estado através do FAT, Incra, MEC, o que rende privilégios a seus dirigentes.
ISABEL CARVALHO [1:54 PM]

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[ Terça-feira, Junho 21, 2005 ]

 
Códigos
ISABEL CARVALHO [2:41 PM]

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Há uma planta em formato de marreco em frente à casa de madeira da rua paralela à minha.
ISABEL CARVALHO [2:41 PM]

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chove, faz frio e intempéries...
o cheiro de mara invade todas as quinas brasileiras assoladas na corrupção
a cutaia vem atrás arrancando os cofres públicos enferrujados
preciso falar mal de alguém

do meu vizinho, do guarda de trânsito,
oposição a todos e a tudo é a melhor sensação do mundo!

portanto, sinto-me uma idiota perfeita em harmonia com as situações tolas
desse mundinho fodido!

Que horas são? Tô atrasada de novo, caramba!!
ISABEL CARVALHO [2:39 PM]

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Saddam está feliz! Come Doritos em prisão secreta na América do Norte e recomenda a soldado de 19 anos casamento com mulher nem muito burra nem muito inteligente. O fundamental, segundo o ditador, é que tal mulher saiba limpar e cozinhar!
Ah, reafirmou ser ainda presidente do Iraque e que nunca escondera armas de destruição em massa!

ISABEL CARVALHO [2:27 PM]

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[ Segunda-feira, Junho 20, 2005 ]

 


Retrô



Retrô é retrocesso
Retrospectivas vãs
Retroativismos hipócritas
Tudo que vejo é retrô
Serei eu também?

Exceto uma ou outra progressividade
Está o retrô
Inversamente concebido nesta falsa existência
Onde deveria ser meio
É fim

Se o que pensamos é derivado daquilo que fazemos
E, logo, o que fazemos é derivado daquilo que pensamos,
Por que negar esta dialética ao vislumbrar o passado?

Na vala do retrô estão as ideologias
Quase todas se apóiam no retrô
Para aliviar o medo de refletir a si mesmas

A fé não questiona mais a verdade
Criou sua próprias verdades
E as sustentam no retrô
Na nostalgia mórbida

A filosofia respira vacilante
Busca o ar puro da racionalidade
Num ambiente sufocante
De ar mofado pela banalidade

A música e a arte
O cinema e o teatro
A poesia e a literatura
Quando não reciclados pela estupidez capitalista
Nos remetem lembranças doces
Mas pouco fomentam a verdadeira vida

O amor continua sendo inexplicável na sua essência
Por excesso dele o ser humano sente-se solitário no desejo de
amores novos
Por carência dele se deleita, em massa, em amores recauchutados

Importa amar o que se quer
Para transformar o que se tem
Sem retrô e nem complô
Com novas raízes e matrizes

Revolucionar o velho
Para esculpir o novo

Autor: Luciano Alvez
ISABEL CARVALHO [5:13 PM]

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[ Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005 ]

 
Inferno no trópico


Fevereiro, o mês das intempéries. Brasil, 2005. Severino Chic-Chic preside o congresso Nacional. Conservador assumido, cabra-macho, sim, senhor! O rei da cocada com a promessa de acabar com os gays, lésbicas e todos aqueles "esquisitos". E haja peixeira! O movimento organizado GLBT já partiu para o contra-ataque. Oxalá, exu, tranca rua das almas para Severino!!

Mais pra cima, no Pará, a pistolagem corre solta. A mata acaba devagarinho, engolida por motos-serras, enquanto crianças, mulheres, velhos e novos, calejados, tentam sob balas cruzadas comer um pão, restolhos...Tudo pelo dinheiro de papel!!

Ora, ora. Mais ao centro, em Brasília, Severino falou, Severino cumpriu. Já está tudo preparado para um reajuste de 67% nos salários dos deputados picaretas que destróem a Nação. Em breve, abocanharão R$ 21 mil por mês só para deitar e rolar sobre nossas cabeças.

E olha que o trabalhado deles é assim: votam tudo quanto é projeto que fode o povo. E o povo, vai, como gado arrebanhado.

E Lula, tão admirado e aplaudido em Davos, faz a volta ao mundo em 80 dias... E nós pagamos o diesel, a gasolina, o caviar, os talheres de pratas e as coroas dos reis. Ainda é a Era da monarquia em que vale aquela máxima: aos amigos do rei, tudo! E como serviçais pagamos para trabalhar, entregamos jóias à majestade e ignoramos nossa essência.

Na Febem, rebeliões. Alckmin, em São Paulo, demite 1.751 funcionários da noite para dia, sob argumento de que muitos deles seriam torturadores. Ora, ora! Tortura é o povo que sofre com governos capitalistas de plantão, sem perdão.Igreja, Estado, unidos contra o povo! Morte ao capitalismo!

É fogo, é duro e cada vez é pior a vida mundana no Brasil tropical, que com o aquecimento global, desgoverno, miséria e caos instalados promete ser forte candidato a inferno. E o Bush, ó...

Seria melhor, se não crescêssemos!
ISABEL CARVALHO [11:20 AM]

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[ Quinta-feira, Novembro 18, 2004 ]

 
DESAFIO A KAPILA

Perdição! Os poetas transcendentais julgam a vida esquecida.
Impõem condições hipnóticas como métodos de salvação.
Da cozinha ao lavabo concentro minha purificação nas palavras.
Ao ignorar se delas emanam divindade, faço delas meu supremo Deus.

Pratico fundamentações condenáveis: sexo ilícito, fumo, álcool e defesa.
Desfaço-me de qualquer mal apenas ao reforço do falso ego.

Só assim, a liberdade!

Afora a vida condenável, devoto ao saber e sou escrava das rimas.
Defendo acima... Além, todas as inquietações.

Quando anoitece repouso o corpo
e a alma, liberta,
passeia pelo corredor de pijama.

ISABEL CARVALHO [10:29 AM]

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[ Quarta-feira, Novembro 17, 2004 ]

 

ISABEL CARVALHO [3:33 PM]

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[ Sexta-feira, Novembro 12, 2004 ]

 
Racismo: até quando?

20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra e aniversário de Zumbi dos Palmares. Zumbi e todos os quilombolas se levantaram contra a escravidão e desafiaram o sistema político e econômico que a sustentava. A revolta dos Palmares traduz para os dias atuais que a luta contra o racismo é uma luta que deve ser travada diretamente contra a elite governante, que é a única culpada pela propagação do racismo.

Anualmente, no mês de novembro, há atividades organizadas por diversos setores, inclusive do Movimento Negro, que reforçam a necessidade do fim da discriminação racial.

Entretanto, o fator discriminação ainda é imenso no Brasil - o último país do mundo a decretar o final da escravidão. O desemprego é 38% maior sobre negros e pardos do que nos brancos. No caso dos salários, a diferença contra os negros é de de 105%.Os negros não têm acesso aos níveis superiores de educação. As crianças negras e jovens negros são os mais vitimados pelas chachinas e pela violência policial.

As mulheres negras trabalhadoras são superexploradas e dificilmente conseguem romper as barreiras que lhe são impostas, impedindo sua ascensão social. Para as empregadas domésticas, a situação se complica, já que o trabalho doméstico além de ser desprestigiado por ser ¿trabalho de mulher¿, carrega o ranço de ser ¿trabalho de escravo¿, redundando em salários baixíssimos, sem respeito aos direitos trabalhistas e com horários irregulares.

A luta anti-racista é uma luta de raça e classe, que deve sempre ter em primeiro plano o combate à discriminação. E esta luta só pode ser travada em aliança com todos os demais setores explorados e marginalizados da população - os trabalhadores, os estudantes, as mulheres, gays e lésbicas, os povos indígenas.
ISABEL CARVALHO [1:50 PM]

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[ Segunda-feira, Outubro 25, 2004 ]

 
rude áspera intempestiva
idéia fixada
imaginação existente
de repente a flor
vem à tona
e um sorriso
cai dos lábios
engraçados
insurgente
tocam os meus
eloquente
fico a sorrir
sem saber
entender
seu jeito
fabuloso de ser
ISABEL CARVALHO [10:46 AM]

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[ Quinta-feira, Outubro 07, 2004 ]

 
Sermão

Cá estou. Sem revolução, senão a interna.

A maioria banalíssima da sociedade prossegue na ilusão de ótica do processo eleitoral nos municípios. Sem grandes novidades.

Apenas o velho poderio burguês mantendo-se no poder.

E a periferia, negros, mulheres, pobres, homossexuais, prostitutas, gigolôs seguem insatisfeitos, famintos, assistindo às mentiras do Jornal Nacional. De tanto fingirem acreditar, incorporam reflexões tendenciosas, benéficas apenas àqueles que querem a grana seca na mão. Sem perdão e cada vez mais pecadores, vão pagando as prestações da recente TV adquirida e da nova roupa de grife falsa comprada no camelô do centro. E tudo prossegue como antes...

O mundo fica velho e cada vez mais imperfeito. As pessoas ignoram as utopias para uma vida melhor e se enclausuram nos sonhos inatingíveis. É galera em dia de futebol.

Enfurecidas passam o dia contando as horas para o milagre. Como gado em curral, miram fixas os olhos no infinito à espera do fim. Abatidas servem à mesa dos mesmos que as trituram, que as dissecam para manter seu padrão monetário na ordem do dia.

Quando o mundo acabar, tentarão agarrar uns aos outros, mas traídos pelo comparsa inimigo, clamarão a Deus que, naquele exato momento, estará em sono profundo.
ISABEL CARVALHO [12:00 PM]

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[ Terça-feira, Julho 27, 2004 ]

 

Atendendo a pedidos...
ISABEL CARVALHO [2:47 PM]

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Parte I

Dilacerados pelas regras e vapores dos carros. Sequer se dão conta de que a casa que acabaram de construir - um lar - desabará a qualquer momento. E não tem invento a ser descoberto com poder de barrar a fúria dos devastadores. São cruéis, fortes, invencíveis enquanto houver gotas de sangue que respingam dos derivados humanóides.

Esfarrapados, correm feito ratos no esgoto à procura de restos, sobras perecíveis, politicamente corretas, lançadas pelos lares dourados já falidos, porém, auto-rotulados: enobrecidos. São os amos. A eles tudo é permitido. São amigos do rei, na terra que comem não a alimentam. Apenas a desgastam, a exploram, a estragam.

À noite, ao aproximar da tempestade, rastejam-se para os lares. Esquecem para fora vários outros. Quando repentinamente, surgem dragões, muitos dragões... E as bruxas gargalham. E os magos afagam as dores daqueles que espinhos espetam os caminhos. E os gladiadores lamentam a perda da armadura.

Quantos governos terão de por aqui passar para estragar o já estragado, o já corrompido, o já corroído, o já estúpido esculpido?

Quantas religiões terão de pregar o terço esquecido, manipulado, estraçalhado pelas beatas tapadas?

Há quantos patrões (se é que existem) terão de sucumbir, ajoelhar, implorar um salário migalha?

Quantos porões existirão para encuralar a ralé faminta alienada?

Quantos amores vão encontrar para acabar com a solidão de um mundo devasso, gelado, sem graça e degolado?

Quantos mundos existem para suportar tantos tipos inacabados, que sonham o já sonhado e só repetem a velha ladainha retórica fétida?

Ah, o amor... Este velho está por aí... bate de porta em porta e acaba retornando ao saguão à espera daquele que sempre existirá com a alma lavada, a vida engrenada e mente cristalina.
ISABEL CARVALHO [11:47 AM]

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[ Terça-feira, Julho 20, 2004 ]

 

Pessoas estranhas e suas entranhas

Estou pasma com a loucura de algumas pessoas que me cercam. Sejam elas amigas, colegas de trabalho ou aquelas que simplesmente passam pelo meu dia-a-dia como cabeleireiros, manicures, médicos, dentistas, diarista, frentistas, ambulantes etc. Isso sem mencionar os familiares - estes já nasceram - como diz uma grande amiga - "fora do cabo" (deve ser o da vassoura).

Pois é. Alguns fatos têm me chamado muita atenção nestes dias. Um deles é a necessidade de se encontrar um parceiro ou uma parceira. Sejam estes parceiros pertencentes aos grupos homo, hetero, bi ou sem orientação sexual definida.
Todos juram querer encontrar um par perfeito, daqueles dos contos de fadas. Mas acabam se dando conta e quando conhecem o tal parceiro (a) a loucura é tanta que recuam por não saber mais definir um sentimento.

Dia destes, numa reunião de mulheres, ouvi o mais estapafúrdio relato. Talvez, denomino-o de estapafúrdio por não entender mais a loucura alheia. Vamos lá! Uma garota estava ansiosa para conhecer uma outra que poderia vir a ser sua próxima paixão. Chamarei a garota que queria uma nova paixão de "Garota 1" (G1) e a candidata de "Garota 2" (G2). Tudo armado! As amigas da G1 na expectativa e as da G2 na torcida.

Tudo pronto. A G1 totalmente feminina aguardava a chegada da G2. O marketing estava feito. Quando a G2 apareceu, a G1, digamos ficou muito triste. Motivo da tristeza: a G 2 era feminina demais. Usava batom, maquiagem, cuidava dos cabelos, da pele, tinha esmaltes vermelhos nas unhas, enfim, era uma lady para os padrões lésbicos masculinizadas e, pasmem, das feminilizadas também. Porém, a Garota 1 também era uma lady.

No final, depois de muito blá-blá-blá, as duas não se entenderam justamente por causa da feminilidade de ambas. Se isso não é loucura não sei mais qual é o conceito de despirocada!!

Parece-me que entre as meninas que gostam de meninas rola um preconceito sem precedente. Se uma menina quer arrumar uma namorada com visual e mente masculinizados não seria mais fácil sair à procura de um menino?

A história é essa. Não entendi muito bem, mas cheguei à conclusão de que o mundo tá muito maluco e que algumas pessoas perderam a noção do que realmente querem: seja na sexualidade, seja no lado profissional etc.

Talvez, falte à essas pessoas dispersarem a insegurança imposta pelo mundo digital e viver de forma mais light. Afinal, batom e barba não combinam. Também não entendo a masculinidade de certas mulheres nem a feminilidade de certos homens, ambas inúteis.

O caminho é longo e a procura é deserta...será o lobo-mau passeando aqui por perto?
ISABEL CARVALHO [11:28 AM]

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[ Terça-feira, Julho 13, 2004 ]

 


Em 13 de julho de 1954 morreu, no México, Frida Kahlo.

ISABEL CARVALHO [1:50 PM]

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[ Sexta-feira, Julho 02, 2004 ]

 
a carriola escapa da mão do pedreiro louco
desce a ladeira e atinge a rampa
retorna com força metafísica e debruça-se sobre a planta espinheira
lá vai o trabalho do moço afoito
embora para o bueiro dos bichos encantados

ISABEL CARVALHO [1:58 PM]

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[ Sexta-feira, Junho 25, 2004 ]

 
Qual é o babado da imprensa?

A Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), do dia 13 de junho, em São Paulo, transcorreu com muito brilho e sem qualquer incidente.

O fiasco ficou por conta da imprensa, que seguiu a linha do "politicamente correto" e reportou o que há de mais pejorativo no movimento homossexual: privilegiou o "exótico" e ignorou as manifestações políticas existentes.

A cobertura das TV´s, segundo relatos - felizmente não vi porque estava entre os GLBT's na Avenida Paulista - foi estapafúrdia. Ao invés de pôr de lado toda a estereotipia adotada de praxe nas coberturas de manifestações de movimentos minoritários reivindicatórios, expôs pejorativamente drags queens como se o movimento homossexual se resumisse apenas nos tipos travestidos, gesticuladores e bizarros.

Já que as "drags" acabaram de ser citadas, boa parte delas, certamente, estava sentindo-se verdadeiramente representante de um movimento com múltiplas facetas - inclusive, a da alegria e do brilho -, sem contar a coragem, a liberdade e a criatividade de mostrar-se tal como é: ser no mundo, na Paulista, na convivência harmônica entre tantos tipos de pessoas, personalidades, diferenças...

A mídia, se quisesse exercer um papel real de formação sócio-cultural, deveria, no mínimo, ter explicado aos telespectadores, ouvintes e leitores o verdadeiro objetivo da Parada do Orgulho GLBT. Mas, não o fez. Preferiu ouvir histórias apenas das adoráveis caricatas drags queens e travestidos, generalizando os homossexuais como se todos usassem fantasias para ocultar sua sexualidade no dia-a-dia indigesto da sociedade capitalista selvagem .

O papel da imprensa há tempo deve ser repaginado. O jornalista precisa se despir do preconceito e ir a fundo no porquê das coisas. Neste caso, primeiramente, seria fundamental explicar o porquê da realização das Paradas.

As Paradas, em especial as da capital paulista, ocorrem há oito anos. Mas, apenas nos últimos três anos, é que tem se dado destaque maior na mídia por causa dos milhões de pessoas que comparecem ao evento. Com tamanha visibilidade, fica impossível não dar um link durante a programação dominical, mas sem agredir os lares cristãos sintonizados. Claro que apesar dos interesses mercadológicos das Paradas, nas quais contam com mega-patrocinadores que vêem no público homossexual consumidor potencial e no evento a oportunidade de vender seus produtos sob a vitrine de empresas preocupadas e sensibilizadas com a causa GLBT - por direitos civis e previdenciários, igualdade e fim do preconceito - a Parada em si é uma manifestação de um movimento repleto de reivindicações, sim!

Em 1996, com uma simples manifestação dos homossexuais, com a presença de 2 mil pessoas em São Paulo, foi dada a largada para o que vemos acontecer anualmente na Paulista. O número de participantes GLBT´s e simpatizantes cresceu progressivamente até atingir a cifra oficial de 1,8 milhão. Mas, que para mim, certamente ultrapassou os 2 milhões. Ganhou visibilidade e tornou-se a maior do mundo, superando as Paradas de São Francisco, Nova Iorque e Toronto.

Muito bem. O Brasil, aos olhos da mídia mundial, no quesito organização de Paradas GLBT´s está indo muito bem. Mas, afinal, o que o movimento GLBT reivindica e o que a sociedade realmente pensa da classe? E a imprensa, como se comporta?

Para Wilson Silva, colega militante GLBT, apesar do sucesso, a Parada, mais uma vez, foi marcada por problemas. A começar pelo tema selecionado pela Associação do Orgulho GLBT: "Temos família e orgulho". Para um setor do movimento, o tema tinha a ver com a necessidade do reconhecimento legal das relações entre casais GLBT (com a regularização das parcerias civis que transfiram para os homossexuais os mesmos direitos existentes para os casais heterossexuais, como os direitos previdenciários e, no meu entender, o direito à adoção de crianças). Nada mais justo.

Outros relacionaram o tema às muitas dificuldades que GLBT's têm em suas famílias: discriminação e preconceito podem se transformar em atitudes como a expulsão da casa ou o emprego da violência doméstica. Algo também importante.

Contudo, pelo tom dado pela própria Associação, tanto a cobertura da mídia como os eventos paralelos à Parada foram marcados por uma abordagem conservadora: a defesa do padrão tradicional de família.

Exemplar da lamentável lógica que permeia maioria do movimento, que defende a "integração" dos homossexuais ao sistema tal como é. A defesa do casamento e da família tradicionais é prima-irmã da postura que vê como conquista o surgimento de um mercado voltado para os homossexuais. Uma enorme bobagem que só privilegia setores de classe média.

Além desse problema, repetiram-se outros já conhecidos: a abertura da Parada foi feita pela prefeita petista sem que qualquer um pudesse questioná-la (não só por sua péssima administração, como também por não ter feito nada pelos GLBT's); durante todo o percurso houve muita música, cartazes e faixas pedindo o fim da violência, da discriminação e reivindicando direitos básicos, mas, evidentemente, a cobertura da imprensa privilegiou o "exótico", ignorando as manifestações políticas existentes.

O que a imprensa não informa: censo GLBT

O GLS Planet em parceria com o Grupo Arco-Íris vai lançar em breve o Censo GLS, o primeiro levantamento mais amplo da população GLS no Brasil. Para tornar os dados confiáveis, os idealizadores pretendem levantar dados fidedignos sobre a comunidade GLBT no Brasil, tanto em termos de perfil sócio-econômico como também dados que sejam do interesse das ONG´s ativistas e entidades de pesquisa. A pesquisa vai ser feita via internet, através do domínio e site exclusivo da pesquisa www.censogls.com.br, que está em construção, no momento.

Durante a coletiva concedida à imprensa no dia da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, Sônia Alves, diretora do GLS Planet, informou sobre a realização do censo e pediu aos jornalistas a "gentileza" de divulgar o fato. Não vi qualquer veículo de comunicação reportar o tema.
Preconceito, má vontade dos jornalistas, falta de uma formação universitária de qualidade destes profissionais para discernir o que é importante ou pressão dos donos da mídia para ocultar a verdade que muitos não querem ver?

A verdade, doa a quem doer, é que os homossexuais existem e estão numa luta justa, digna e permanente para ter os mesmos direitos dos heteros!

Isabel Carvalho é jornalista



ISABEL CARVALHO [2:12 PM]

Recados:

[ Terça-feira, Março 09, 2004 ]

 

Autor: Karmo
ISABEL CARVALHO [3:56 PM]

Recados:

[ Terça-feira, Fevereiro 17, 2004 ]

 
Desobediência: a Virtude Original do Homem

Oscar Wilde


Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade.Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido. Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.
Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade. Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma conseqüência da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças a conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo. É curiosos lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo.
Extraído da Obra "A Alma do Homem Sob o Socialismo", de 1891

ISABEL CARVALHO [4:19 PM]

Recados:

 
Frases de Mikhail Bakunin
"Antes morrer em pé do que viver de joelhos."


"Três elementos ou três princípios fundamentais constituem, na história, as condições essenciais de todo desenvolvimento humano, coletivo ou individual:
1º) a animalidade humana;
2º) o pensamento;
3º) a revolta.
A primeira corresponde propriamente a economia social e privada; à segunda, a ciência; à terceira, a liberdade."

"Enquanto houver um amo ano céu, haverá um escravo na terra."


ISABEL CARVALHO [4:18 PM]

Recados:

 
PARA LER DE MANHÃ E À NOITE
Aquele que amo
Disse-me
Que precisa de mim.
Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva
ISABEL CARVALHO [4:13 PM]

Recados:

 
O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo

Bertold Brecht

ISABEL CARVALHO [4:10 PM]

Recados:

[ Quinta-feira, Janeiro 29, 2004 ]

 
Quem diria...
a Lua virou sol e meu coração sorriu ao encontrar
o seu
na esquina do horizonte florido
em plena madrugada
ISABEL CARVALHO [12:24 PM]

Recados:

[ Quarta-feira, Janeiro 14, 2004 ]

 

ISABEL CARVALHO [1:06 PM]

Recados:

[ Terça-feira, Janeiro 06, 2004 ]

 

ISABEL CARVALHO [10:41 AM]

Recados:

[ Sexta-feira, Janeiro 02, 2004 ]

 
Hipócritas banais

Eles vêm e vão como se não soubessem da malandragem inerente ao caráter. Passeiam pelas ruas como se fossem maiores do que os outros. Os outros são inferiores. Eles, os hipócritas, são insensíveis, mas socialmente visíveis. Formulam uma história de vida virtual, que até mesmo eles crêem ser real. Os hipócritas nasceram para perpetuar a escória, a submissão, a ganância, a sacanagem e com intuito único de levar vantagem fácil sem fazer esforço. Os hipócritas quando dormem não sonham. A imaginação deles é limitada ao dinheiro, status, poder e vaidade. Os hipócritas estão por toda a parte: nos bancos das igrejas, na definição das leis, na criação de regras e padrões, na cultura de massa que aliena, na mídia, na terra...
Um dia, os outros não hipócritas, revoltados, partirão à batalha para banir os hipócritas. Terão de respirar profundamente, esquecer a dor e massacrar todas idéias que impedem um mundo ideal: revolução à hipocrisia. É hora de banir as banalidades.....

ISABEL CARVALHO [1:56 PM]

Recados:

 
"Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado,parqueado, endoutrinado, predicado, controlado, calculado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude (...). Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado medido, contado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido,reformado, reenviado, corrigido. É sob o pretexto da utilidade pública em nome do interesse geral,ser submetido à contribuição, utilizado, resgatado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado,mistificado, roubado; e depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado,vilipendiado, vexado, acossado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, no máximo grau, jogado ridicularizado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis a sua justiça, eis a sua moral! (...) Oh! Personalidade humana! Como foi possível deixares-te afundar, durante esses séculos, nessa abjeção?" Proudhon
ISABEL CARVALHO [1:23 PM]

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[ Quinta-feira, Novembro 27, 2003 ]

 
nada estranho
noite maravilha
tudo bem e zen na terra do terror
pelo menos por hoje
os olhares brilham e se beijam
viva aos felizes que sorriem
como se o orgasmo fosse múltiplo
e não houvesse dor
assim me fez bem
assim me faz zen
você é tudo meu bem

ISABEL CARVALHO [10:21 AM]

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[ Quarta-feira, Novembro 26, 2003 ]

 
estranho
nem chuva nem sol nem calor nem frio
olhares desviam palavras se calam por mim
a fadiga há quem diga inexiste
em mim insiste em persuadir
invadir pelas artérias
sugerir novas ampolas
infiltrar nos tóxicos póros anafiláticos
fazer o quê pra este dia acontecer
alternar variações climáticas não muda a visão estática
de paixão embriagada
de inércia atrofiada

ISABEL CARVALHO [3:32 PM]

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[ Quinta-feira, Novembro 06, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [1:00 PM]

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Alienação



O capitalismo tornou o trabalhador alienado, isto é, separou-o de seus meios de produção (suas terras, ferramentas, máquinas, etc). Estes passaram a pertencer à classe dominante, a burguesia. Desse modo, para poder sobreviver, o trabalhador é obrigado a alugar sua força de trabalho à classe burguesa, recebendo um salário por esse aluguel. Como há mais pessoas que empregos, ocasionando excesso de procura, o proletário tem de aceitar, pela sua força de trabalho, um valor estabelecido pelo seu patrão. Caso negue, achando que é pouco, uma exploração, o patrão estala os dedos e milhares de outros aparecem em busca do emprego. Portanto é aceitar ou morrer de fome. Com a alienação nega-se ao trabalhador o poder de discutir as políticas trabalhistas, além de serem excluídos das decisões gerenciais.





ISABEL CARVALHO [12:53 PM]

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Um mundo tristonho sorriu do seu sorriso bizarro
e acordou feliz...

ISABEL CARVALHO [9:49 AM]

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[ Quarta-feira, Novembro 05, 2003 ]

 
Dicas de um bom som (claro, para aqueles que se identificarem)

PEACHES (fotos a seguir)
GRANDE NOME DA CENA ELETRO


As letras são suuuuuper safadas. A performance não fica nenhum pouco atrás. Peaches - um dos grandes nomes da cena electro, a menina que se apresentou no dia 31/11 no TIM Festival - está no Brasil para lançar seu segundo disco, Fatherfuking. Say what? É isso mesmo! E ela está mais ácida do que em Teaches of Peaches.

Tudo começou quando ela fazia parte da banda The Shit, em que ela tocava guitarra e fazia rimas sobre "cock, pussy and stuff". Desnecessária a tradução, certo? Ela já fez filme erótico para festival super-8. E em seu site, criou um concurso para quem tirar a melhor foto de suas calcinhas. E demonstra não ter o menor pudor em associar música com sexo. "Não tenho problemas com isso. A maior parte da música do mainstream é baseada em sexo", diz ela. E vai além. "Fotos usadas na propaganda sempre têm uma mensagem subliminar. E sexual. Se uma mulher está de boca aberta, isso nos leva a pensar em um boquete. Por isso, não quero fugir de conotações sexuais. Apenas usar isso a meu favor. Gosto quando os fotógrafos, no meu show, tiram fotos da minha bunda. É divertido".

E com toda atitude, você deve estar se perguntando: e o som? O som é uma pancada. Esta canadense - que atualmente mora em Berlim - é um dos nomes mais inventivos da tão falada cena electro e está muito longe do clichê. É fã de Iggy Pop. E Iggy pop é seu fã! Tanto que, juntos, eles fazem um dueto no novo disco, que foi produzido por ela mesma. Sua música tem arrancado elogios da mais diversas vertentes do showbizz. De Michael Stipe (do R.E.M.), de Björk (de quem ela abriu shows) e até de pseudo-girl-powers como Christina Aguilera.

Mas Peaches não é uma destas garotas fáceis de rotular. E ela não quer nem saber disso. "Se eu sou feminista? Eu sou apenas Peaches". Afinal, ela não veio para explicar, veio para confundir. E fazer o público subir pelas paredes. (Fonte: Home da TimFestival) Links


http://www.moregoatthangoose.com/interviews/peaches.htm


ISABEL CARVALHO [3:40 PM]

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[ Terça-feira, Novembro 04, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [10:34 AM]

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[ Quarta-feira, Outubro 29, 2003 ]

 
" Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima pra baixo para ajudá- lo a levantar- se" (Gabriel Garcia Marques)
ISABEL CARVALHO [4:20 PM]

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-"Não ande pelo caminho traçado; ele conduz somente até onde os outros já foram - Einstein"
ISABEL CARVALHO [4:19 PM]

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"Sonho com o dia em que todos os homens levantar-se-ão e compreenderão finalmente que são feitos para viverem como irmãos."

(Martin Luter King)

ISABEL CARVALHO [4:17 PM]

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"Aquele que tudo adia, não deixará nada concluído, nem perfeito."

(Demócrito)

ISABEL CARVALHO [4:14 PM]

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[ Terça-feira, Outubro 28, 2003 ]

 
"Eu"


"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!"

Florbela Espanca

ISABEL CARVALHO [3:59 PM]

Recados:

 
"Na tua vida, não quero ser o farol que assinala os perigos e te conduz segura pelas noites de mar. Mas a tempestade que te tira do rumo, te deixa à deriva e te assusta pois sabe que gostas. O trovão que te estremece, o raio que ilumina teu corpo e deixa à mostra o teu rosto, teu olhar de paixão frente ao perigo. Te entregas à fúria do vento que te leva para onde quer. E depois, brisa mansa que afasta as núvens, descortina as estrelas e sopra teu barco à praia, onde adormeces feliz."
ISABEL CARVALHO [3:53 PM]

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[ Quinta-feira, Outubro 09, 2003 ]

 
O dia em que acordamos e não mais nos indignamos diante de qualquer barbaridade
é porque desistimos definitivamente de fazer uma intervenção para reverter o processo caótico
pelo qual caminha o mundo.

Uma intervenção sempre deve ser baseada em boas argumentações
para que seja vencida a hipocrisia dos homens alienantes
e da sociedade falida controlada por meia-dúzia de burgueses desesperados.

A indignação, a intervenção e os argumentos são armas poderosissímas
para a maioria massacrada um dia ter o direito de ser ouvida e inverter a ordem geral das coisas.
Bom dia!


ISABEL CARVALHO [10:44 AM]

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[ Quarta-feira, Outubro 08, 2003 ]

 
Revolta nos trópicos

meninos ora aproveitadores
pertubam minhas horas solitárias
com conversas infâmes
prostitutos!!
ah homem turbinado!
meninos apenas!
por que fizera isso?
agora no ato aleatório
vêem meu abrigo
indignam-se com as paredes
dou-lhes leite para o irmão
encontro-os tarde da noite
no batuque noturno da solidão
quem não enxerga a testa
os detesta
e o quê tenho com isso?
sou seu meio freio
nada farei
meninos
para livrá-los desta
sou vítima também dessa
lua devoradora dos credos
não quero que venham amanhã
contar-me sobre o espeto
enfiado em seu enteado

ISABEL CARVALHO [2:02 PM]

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[ Segunda-feira, Outubro 06, 2003 ]

 
Porque a gente
ainda se utiliza
de limpar os sonhos
nas mangas da camisa,
de cortar os pés
nos cacos de ilusão.

(Kléber Albuquerque)
ISABEL CARVALHO [10:36 AM]

Recados:

[ Segunda-feira, Setembro 15, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [11:56 AM]

Recados:

[ Sexta-feira, Setembro 12, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [3:14 PM]

Recados:

[ Terça-feira, Agosto 26, 2003 ]

 
Intervalos

Sei que sou um intervalo,
mais que um intervalo, um infinito,
mais que um infinito, um corredor ininterrupto,
que se expande num vácuo escuro,
que beira um muro pichado
cheio de frases incompreensíveis...

Sei que sou um esgoto,
que prolifera ratos intelectuais,
menos banais que os intelectos humanos.
Humana é minha mente que resplandece,
idéias de muros pichados,
sonha num amor platônico,
esgota-se num rio sereno,
e, muta-se a cada instante,
como o giro do sol...

Sei que somos um grande intervalo,
que a cada fração de vida,
faz-se num intervalo sem fim,
para lembrar-nos quem não somos.

(Intervalos psico-cerebrais)

ISABEL CARVALHO [10:24 AM]

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[ Sexta-feira, Agosto 22, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [3:53 PM]

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QUINTANILHA

Queria... Verbo transitivo
um presente transitório
há palavra há movimento
um lenço caiu
outro se moveu
repetiu o cenário inventado
e ela
da janela
numa onomatopéia lógica
de tanto saber dos vizinhos
reproduzia
o tilintar dos copos: tim-tim
e a ave-maria com sonoplastia
encefálica
daí caem panelas
choque de alumínio
e sente o caminhar do mosquito
e ouve o gemido da centopéia ao fazer amor
e ainda analisa o sonho da traça
aqui tudo é permitido
até a poligamia das águas encanadas
não detenha o pedido da velha
que sozinha lá em cima
recomenda a junção dos cães
movidos pelo hemograma
diluído em plasma indefinido

ISABEL CARVALHO [3:25 PM]

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[ Quinta-feira, Agosto 07, 2003 ]

 
Sugestões de marketing enviada por uma amiga contra a igreja!!

- Campanha de ajuda às vítimas de padres pedófilos (vai criar um total descrédito da população perante à igreja, e ajudar a demonstrar a face obscura dela. Seria uma vergonha)

- Abaixo-assinado mundial para que a igreja distribua o ouro, a riqueza dela aos países pobres...a qual daria para matar a fome de muita gente.

- Campanha para liberar o sacerdócio na igreja e fazer com que ela assuma as responsabilidades sociais sobre as famílias dos padres (direitos trabalhistas, etc).

- Pregar que a igreja é a favor do alastramento da AIDS pelo mundo, já que prega o não uso da camisinha.

- Fazer uma campanha de repúdio à igreja por ela por ela criar, com seus dogmas, a perpetuação da frigidez nas mulheres, retirando delas o direito de ter o prazer, uma obra da natureza, portanto, uma lei de Deus.

ISABEL CARVALHO [10:41 AM]

Recados:

[ Quarta-feira, Agosto 06, 2003 ]

 
Ironia proletária

Cruzes! Dia nublado, manhã chuvosa?
Levantar desta cama,
deixar meu corpo solto?
Impossível ato...
Fica-se o corpo, vai-se a áurea.

O dever chama às seis da manhã,
meus olhos cerrados ficam ao som do bip.
A mão cai desleixada apertando a tecla.
Cessam as horas... Bom Dia!

Vou, vou pela rua, amarrotada,
gosto de Kolynos na boca,
cabeça erguida para o povo pensar
sobre nossa responsabilidade diária.

Ora! Sou promíscua demais...
São quatro esquinas,
em todas elas,
esqueço a jornada de trabalho.

É a flutuação magnética,
escandalosa rumo ao dia de glória.
São alguns tostões no bolso.
São tostões suados.

Ousadia!! Se pensasse melhor,
o bip ficaria mudo,
os olhos, com as pálpebras cerradas,
num sonho prazeroso, dando risada!

ISABEL CARVALHO [2:12 PM]

Recados:

[ Quinta-feira, Julho 24, 2003 ]

 
TRILOGIA DE EUNICE

1. O hímen perdido

Mais de cinco da tarde. Eunice polemizava. Contaria a verdade ou a ocultaria de todos? Entre comparações ambíguas, a moça, ora tinha certeza de que tudo deveria estar claro, ora ficava na dúvida se deixava tudo como antes, igual a um baile à fantasia, onde ninguém quer ser alguém.
Passava das sete. Fixava os olhos num ponto imaginário. Sentia-se a mais dolorida das mulheres. O pecado: perdera o hímen na noite anterior. Enquanto a não mais virgem refletia, à base de sons que vinham além do alambrado da casa, revoltava-se, indignava-se, rompendo com o hímen do próprio cérebro. A necessidade de reflexão sobre o hímen diluído apontava à medida que era transposto o limite da hipocrisia.
Não perdera a vida ainda. Somente uma membrana da vida...
O namorado desaparecera. Deixara Eunice sangrando. Deus sabe até quando. Subitamente, o ouvido direito ensurdeceu, impondo um zumbido melancólico. Não era mais virgem. Nem a mais pura das cabrochas da gafieira da esquina. O emporcalhado homem que desmembrou sua autarquia vaginal, evaporou. Partiu à procura de outras virgens. Drácula era santo se comparado ao tal desbravador.
Onze da noite. Olhava por baixo, enfiava o dedo no local ferido, chorava. Será que ainda sou considerada humana? Diante de tantas idéias incabíveis, optou em repousar. Procurou pelo pároco na manhã seguinte.
Seis da manhã. Levantou-se, checando o rombo localizado. Não era um simples sonho. Na real, não era mesmo mais virgem. Estoporada estava. De vestido branco, laço combinando com os cabelos alourados, encorajou-se pelos degraus da casa paroquial.
- Padre, pequei.
- Como pecou, minha filha?
- Não sou mais menina pura.
O padre, acostumado a ouvir história semelhante, consolou-a.
- Minha filha, o emporcalhado que a feriu pagará alto. Porque tudo aqui feito, pago é aqui mesmo. Quanto a você, não pertence mais à purificação dos apóstolos. Está condenada a viver como uma mulher qualquer. Não terá mais conceito de valor, tampouco, será tratada com respeito pelos seus irmãos. Como representante de Deus, afirmo que está temporariamente perdoada. Siga sua vida...
Eunice, aliviada e, ao mesmo tempo com a sensação de um resquício revoltante, desceu a escadaria aos gritos.
Após o dia fatídico, perdera-se entre os homens. Queria se entregar a todos e a tudo. A partir deste dia, jurou: "Em meu corpo não existe padrão, não tenho patrão e minha mente se estoporou juntamente com meu hímen. Agora sou uma mulher livre nesta burocracia telepática".

ISABEL CARVALHO [4:05 PM]

Recados:

 
TRILOGIA DE EUNICE

Um novo capítulo dos deuses da terra

Entre garrafas, assoalhos, luzes foscas, drag-queens, moleques magros, moçoilas gordas, desenvolvia-se um ambiente familiarmente anti-aristocrático. Era gente demais. Não havia suporte técnico que amparasse todo aquele envólucro de idéias diferentes. Também não havia suporte estrutural que concebesse toda aquela esfera de consumismo e devoção a uma arte tão alastrada, entretanto, não muito bem recepcionada pela outra gente que passava diuturnamente pelo quarteirão da frente.
Os olhares se enlaçavam a toda hora. Depois da meia-noite, com a primeira parte do ritual dos espíritos bons terminada, abria-se a porteira para os passistas da ala de esquerda entrarem em ebulição e despejar tudo que fluísse negativo pelos vãos do assoalho bastante velho, pelas parredes trincadas da casa, por baixo do portão de entrada, que dava acesso aquele mundinho de prostituição generalizada. Mundinho bom, onde podiam disperçar desejos e loucuras, vontades e ternuras, ódios e compaixões, ansiedades pela aceitação.
As duas da madrugada ninguém mais se entendia. Tudo era rebuliço.
Envolvida em plumas brancas, Eunice entrou com o samba nos pés e uma impureza no caráter que os mais ligados podiam notar que de menina generosa ela nada tinha. Olhava, mesmo tendo medo de encarar. Sua ousadia era lançada nos pés e na ginga de quem muito sabia da vida sacana dos guetos de uma província em expansão.
No canto, pude observar alguns detalhes sem imaginar, naquele exato momento, do que vivera aquela figura exótica da sala escura.
Em conversa posterior, havia me contado sobre a viiolência urbana a qual fora acometida. Como qualquer cidadão que tem raciocínios manipulados pela mídia burguesa, pensei ser no caso, uma vadia disfarçada em vítima. Momentos depois, envergonhada, tive em Eunice mais uma vítima do sistema.
Por ter um belo corpo, olhos esverdeados brilhantes e um tipo extremamente vulgar, sem apego às grifes e aos bons modos, com a incapacidade de se colocar como uma mulher que ainda pode ter sua vida revertida, Eunice era uma espécie de Geni do Zeppellin. No caso dela, sempre haverá um que vai atirar a primeira pedra, para depois o restante da massa farsante estraçalhá-la com tijoladas verbais, que a fará mais irrecuperável ainda.
Queria ter Eunice por perto. As vinculações sociais de um sistema falido, os estereótipos, as decisões que precisavam ser corretas me impediram de uma proximidade maior.
Foi bom um dia rever Eunice. Ela estava de calça prateada e top verde brilhante. Sapatos plataforma e um rebolado mais ousado. Eunice vivia para denunciar um sistema de decaptação de mentes, punição dos sexos e morte aos pequenos grupos denominados de doentes por não terem a oportunidade de vida digna, dada apenas à uma minoria de privilegiados, que às custas dos oprimidos, é vulgarmente prostituta, assassina e medíocre como os que formulam regras que impedem várias Eunices de terem uma personalidade peculiarmente sã.


ISABEL CARVALHO [4:04 PM]

Recados:

 
TRILOGIA DE EUNICE

FINAL - TERCEIRA IDADE

A RODA-GIGANTE DO GRANDE PARQUE

>

Pela manhã, o rapaz com olhos de vidro entrou pelo portão da casa de Dona Eunice com uma missão: entrevistá-la sobre sua vida regressa cheia de dados, manchada por noites de orgias e muita punição social.
Para sobreviver, Eunice passara os anos doando-se para homens e mulheres em troca de um algum dinheiro, cuja soma garantira uma velhice pobre, isolada e sem qualquer direito a dignidade.
Alberto, o repórter com olhos de biroca, chegou arrogante com seu bloco de notas. Como se fosse arrancar uma rica estória de um personagem sem eira nem beira. Sentou-se na cadeira frouxa de palha da cozinha e sobre uma mesa desgastada pelo tempo, tatuada por cortes de faca de serra, assinaturas de pessoas falecidas, corações flechados doloridos por amores inalcansáveis... Corações de mulheres que, juntamente com D. Eunice, vivenciaram um período saudoso.
Eunice, como era chamada na juventude, estava calma, serena, comportamento muito diferente dos anos frenéticos de energia pura. Para ela, dia e noite era um turno só. Dividia-se entre as ruas do centro daquela metrópole suja e o cabaré onde tudo era permitido.
Os cenários de Eunice, além do sexo incontinente, eram compostos por assassinatos, doenças, tiros, cortes... Como diria um poeta, cenas de muitas dores e pouco amores.
A primeira pergunta esperada com tranquilidade por D. Eunice, que já tinha respondido há muitos até perder a conta, foi sobre como tudo começou. Eunice fora estuprada por um homem sujo e porco, que prometeu amá-la e, depois de romper seu hímen, deixou-a só na cama de um hotel fédito de última categoria.
Na sequência, Alberto pedia para tecer mais detalhes sobre os acontecimentos seguintes. Apesar da serenidade, D. Eunice irritou-se e logo tratou de abreviar sua história.
- Meu filho, acredito que você seja muito jovem para entender o que passei. A igreja, o capitalismo e a sociedade me proporcionaram o que você pode constatar em meu rosto e em minha casa.
- Depois da perda do hímen, procurei por um pároco que após ter confessado, condenou-me como um ser que não pertencia mais a purificação divina. Como ainda era uma criança e sem qualquer orientação, percebi que o único caminho que me restava era ser uma mulher da vida.
- E fui. E como mulher da vida me privaram da decência, da comida, da honestidade... Jogaram-me na lama. A igreja me jogou na lama e já na lama, a sociedade incumbiu-se de uma segunda condenação, privando-me do trabalho, e jogando-me na lama de mangue, um mangue muito assombroso.
- Teve uma época que, cansada, procurei uma instituição social do governo para tentar a readaptação ao mundo normal de todos aqueles que atravessavam a calçada sob guarda-chuvas em dias de temporal, que iam e vinham para pagar impostos, cobrir cheques sem-fundos, comprar remédio para sua criança. Queria uma vida como daqueles que eram cumprimentados pelos senhores engravatados com um boa-tarde. Queria um carro, para passar um status de que era como todos e uma TV para viver informada e bombardeada por produtos que só o dinheiro pode trazer... Queria um computador para acessar a internet e conhecer outras pessoas iguais a mim. Não me permitiram.
- Na instituição do governo, existiam pessoas treinadas para consolar por dois ou três dias gente como eu. Diziam que era a vontade de Deus. Ora, mas que Deus, se foi justamente o seu representante na terra que me jogara no lamaçal? Muita discrepância, não?
- Meu filho, não deu certo. Baixei a cabeça e segui pelas calçadas da cidade agitada por propagandas de produtos móveis e imóveis, que eram para ser adquiridos por pessoas normais, que tinham o direito de dizer bom-dia. Eu não tinha o direito ao cumprimento e tampouco poderia adquirir bens móveis e imóveis.
- O máximo que possuía era dois vestidos estampados, uma calça brilhante verde-limão, uma blusa do mesmo tecido da calça bastante decotada, um salto alto, que com o tempo quebrou-se, e um dinheiro para o cigarro vagabundo. Essas eram minhas armas para seduzir homens e mulheres e deles arrancar alguns trocados para a próxima refeição.
- Mas nem tudo corria bem. Muitas vezes o dinheiro da prostituição era roubado por outras enlamaçadas como eu, que não conseguiam um programa, ou usado para comprar medicamentos contra doenças sexualmente transmissíveis.
- Camisinha??!! Ora, apesar do governo iludir sobre a necessidade do uso do preservativo, as pessoas de minha camada social, jamais tinham reservas para a aquisição.
- Era um vai-e-vêm. Tentei de todas as formas subir da camada do mangue para o pântano. Mas não me deixavam. Meus passos foram numa esteira rolante sem fim. Cansei.
- Não tenho muito mais a lhe dizer. Gostaria de fazer um elogio e uma pergunta. O elogio é que você não precisou se sujar para estar vivendo. Pelo menos por enquanto. A pergunta é: porque seus olhos têm duas cores, uma verde e outra azul? Não me diga que é patriotismo?
Alberto, totalmente sem graça e sem esboçar a mínima reação, baixou a cabeça e disse ter sofrido um acidente automobilístico durante uma viagem.
D. Eunice lamentou e desculpou-se do humor negro. Aproveitou para abrir a porta ao rapaz de olhos bicolores em direção à rua e dizer-lhe que melhores informações poderiam ser colhidas junto às prostitutas da praça central.
Alberto despediu-se sem agradecer e caminhou. Seu bloco de notas estava vazio em dados, mas todo tatuado. Enquanto ouvia os relatos da dona, desenhara corações flechados, uma nota de um real e vários cubos de dados.
Foi em direção à praça arrasado. Sentou num banco em meio a crianças cheirando cola, quando dele aproximou-se um rapaz com corpo malhado e camiseta regata, convidando-o para um programa.
Alberto arremessou o bloco de notas no chafariz, desabotoou a camisa, despiu-se e nu, segurou na mão do garoto de programa, e atravessou a faixa de pedestre da avenida mais movimentada da metrópole.
Alguns passos e voz de prisão decretada. Preso por obscenidade, atentado violento ao pudor, desequilíbrio mental, desvio sexual, conduta imoral.
O garoto de programa voltou à praça para garantir seu ganha pão. Alberto ficou sujo, marcado e encarcerado por ter tentado viver por alguns segundos como D. Eunice.
Mesmo após sua libertação, quis retornar ao submundo da prostituição para escrever sua estória. Numa tentativa frustrada, não foi feliz. Viu o governo que tem, viu que os homens bem vestidos sempre estão num vai-e-vêm vicioso.
É um círculo e neles todos giram como se em algum lugar fossem chegar ou alcançar. Eles não sabem que a volta, volta. Eles não sabem que os sonhos, sonham. Eles não sabem que sabem. Eles não sabem da lagoa, nem do lamaçal que, por qualquer descuido, poderá invadir a roda-gigante na qual todos estamos e cobrir a cidade onde tudo é permitido, menos ser!!


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ISABEL CARVALHO [2:11 PM]

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[ Terça-feira, Julho 22, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [3:01 PM]

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ISABEL CARVALHO [2:33 PM]

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[ Sexta-feira, Julho 11, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [1:52 PM]

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[ Terça-feira, Julho 08, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [4:38 PM]

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ISABEL CARVALHO [1:42 PM]

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ISABEL CARVALHO [1:12 PM]

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Dora Mora, humana atriz histérica

Desacerto. Contracena em meu palco uma atriz coerente e indecente. Em dias mornos, enfeitados de manobras elucidantes e refeitos por aberrações, ela ensaia como se nada acontecesse. Vestida num brega-chique brilhante, engata a língua entre os dentes, pronunciando os "erres" estranhos. Depois, vem à frente com um tique-nervoso, repugnante. Repuxa o canto esquerdo da boca para o lado direito, faz os olhos revirarem, geme um grunhido rouco, dobra a língua várias vezes, diz "hello!" e continua o texto na naturalidade mais pura que só ela sabe ter.
Uma tarde, abri o teatro para um grupo de atores amadores e curiosos aprenderem um pouco da perfeita performance de Dora Mora. Egocêntrica e surpreendente, vinha em passos de rainha, empinadíssima. Até olhar um por um dos espectadores, engolir a ponta da banana e suspirar: "Vamos lá!".
O figurino era de Alice, No País das Maravilhas. Ela, Alice. Na cena do espantalho, muda o discurso e pergunta a ele, sorrindo sonoro como cabra, se havia algo inevitável nos adereços da pornografia futurística do século 21. Ele, leigo na trilogia - pornografia, futuro e vocábulos - gracejou gaguejando e arriscou a argumentação sobre sua assexualidade.
Dora Mora, em crise depressiva, mantinha a mão direita sobre o coração esquerdo e inerciava no recôncavo do mundo oval. Era uma analfabeta. Estava em beta e o resto que fluísse. Menos o fluor expurgado da arcária sedenda por um pedaço enorme de coxa suína da próxima cena.
Era domingo de natal. Dora Mora vestiu-se de "Papai Noel" e até o orfanato dos crentes foi levar sua solidariedade. Com as mãos sobre a cabeça imitando chifres, corria atrás da molecada, imitando touro. Tudo era diversão na época de Dora Mora. Mesmo que fossem as mais perversas brincadeiras e as mais doloridas palavras.
Num sábado de fúria, Dora Mora veio até mim. Pasmada, a observei. E vi de dentro de suas ventas, duas rajadas de fogo lançadas sobre meus seios. Doeu. Dora Mora, deu um último suspiro e morreu. A vida voltou ao normal, acordei no quintal da vovó sob a jabuticabeira florida. Sobre minha face caiu uma branca pétala minúscula. No outro pólo de meu corpo, cobrindo meus pés deitados havia muitas pétalas... Mais adiante, Dora Mora subia aos céus com um ar angelical que nunca usara na terra.

ISABEL CARVALHO [10:19 AM]

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[ Quarta-feira, Julho 02, 2003 ]

 
células

da célula provém aquela
da mais bela para o masculino
retorna célula ou sanguela
de moela estrangulada
de paródia indefinida
sanguinária...
catarina carolina
das células...
das amebas das mandíbulas
dos caninos dos cérebros esguios
esquio estonteante neurônio
das células...
a última vida o último suspiro
joana d'arc das defumadas
tiradentes das esmagadas
janis das afagadas
células...
aquelas que compõem um corpo
torto morto

após as dissonâncias
e
as danças citológicas

ISABEL CARVALHO [4:14 PM]

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Aliteração da Amora

moram e namoram
no amoreiral sentimental
faz tantas horas
que ora penso que o vento
no tempo as levam

agora está no chão uma amora
então se desintegra ao cume
sem ciúme sem legume
só com um dó menor e melhor
para seu paladar sem par
ao ar da terra sem guerra
que a cultiva

e viva a vida da amora
sem demora para a dor do amor

seu par ficou dependurado
com olhar cerrado
ao ver o amor de sua amora
morrer
ISABEL CARVALHO [3:56 PM]

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[ Terça-feira, Julho 01, 2003 ]

 
Um vento...

um vento vadio a atormentar
alvoroça a meditação
não controlo
a máquina me faz estática
a vida passa e eu inerte a um pensamento
não abro mão da solidão amiga
tentei diversas vezes
fazer-me capaz de compreender a necessidade
humana
aquela em se dá
em que se compartilha a mesma carne
é difícil
estou num conjunto unitário
a singularidade é prêmio maior
em mim há o mundo.
o mundo meu, um universo de entranhas.
aqui manipulo sensações unas.
eu o céu e eu...
agora vai-se um vento ocupado
levando pelas pastagens um pensamento
abstrato e iluminado de paz

ISABEL CARVALHO [3:31 PM]

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ISABEL CARVALHO [3:23 PM]

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[ Quinta-feira, Junho 26, 2003 ]

 
Às vezes, quando é tudo magnífico,
disparo meus provérbios e arrebento comigo,
como se fossem ondas díspares,
à procura do inimigo.

Enlaço o verbo, plenitude infinita,
orgasmático prazer de tocar,
tocar...
com a boca no umbigo...

...que de fome aparece em destaque

Rios de sonhos, linha inalcansável,
não quero descobrir sobre a arte,
é que há um monte de armadura,
a fantasiar esta aventura.

ISABEL CARVALHO [4:15 PM]

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A serpente e da sereia

Uma morava nas pedras secas, a outra na umidade marítima divina. Ambas, parte da natureza artificial em psicologia distintiva da metáfora vivencial. Uma queria ser a outra, mas no momento em que cabia a oportunidade de agir ineditamente como se uma fosse a outra, elas se atrapalhavam. Era o habitat. A sereia nas águas, a serpente no deserto. Muita Contradição. Mas uma queria ser a outra. Como fazer? Eis a questão pertinente, tão incomodativa que as duas, em horas de desespero, arrancavam todos os pêlos púbicos de forma tão frenética que precisavam de uma pomada alcalina no momento posterior à ira.
Um homem vagava pelo deserto, sedento, transpirante e vertiginoso, quando avistou a serperte invejosa. Ela, arrogante e inusitada, de batom nos lábios e voz sedutora como Marlin Monroe, cuspiu aguardente em seus lábios, enfeitiçando-o como jamais qualquer ser havia sido impregnado de tanto desejo e masturbação tesional nos órgãos genitais e cerebrais.
A sereia, na praxe de enrolar marinheiros, se deleitava sobre uma pedra ao sol a tinir como em 150 graus na escala celsios. Nem homens nem genitálias por perto. Fez amor com um tubarão. Descobriu seu sêmen e desafiou o natural fundindo-se sereia (meio-mulher/humana - meio-supérfluo e agora meio-tubarão) voraz.
Uma força invadiu a serpente e outra a sereia. A sereia foi se transformando, ficando com pernas bilaterais. Um peixe ambulante, com arcadas enormes, uma musculatura complascente e uma vontade incrível de caminhar...
A serpente criou seios e pênis, com uma mão de cactus a regar o deserto se viu caminhando em direção ao mar. A sereia e a serpente se encontraram...
Eram gritos... Foram tantos gestos que mal pude ver as duas parirem. Uma teve um bebê cágado e a outra um nosferatu. Eram filhas da natureza...
ISABEL CARVALHO [4:12 PM]

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[ Quarta-feira, Junho 25, 2003 ]

 
AEROPORTO

Moleques escorchados
estrelas em guerra
nuvem nevrálgica
melindrosa a me enganar
até o próximo voto
diferença, réplica.

Fada inamovível
querida bucólica
anêmica...
irrita as minhas
juntas,
e, faz de mim,
a enganosa
impressão de
corpo lento
corpo...

ISABEL CARVALHO [5:08 PM]

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Tesão metafórico

a alma sobe
o sino t-o-c-a
medito
não acredito
respiro
beijo louco
espírito tenso
esta noite não
não há tesão
há tensão espiritual
espiral

um ritual 1/2 romântico
não passará de um gozo estranho
transformado em constrangimento
intercalado pela indecisão

tesão no espírito
gozo na alma
tensão deste corpo
assim...
prossegue...

ISABEL CARVALHO [4:57 PM]

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MARIA VERMELHA E O TRONCO MAU

Maria, a boa moça de Vinicius ou de Salvador Dali, ia pelo bosque com a cesta repleta de pêssegos e doces. Cantava e pulava, velho costume de meninas na infância. Postava-se sempre atrás de alguma árvore. Ora para dar lacinhos nos sapatos envernizados, ora para rabiscar em algum tronco aquele velho slogan conhecido por nós: "Maria e Joãozinho se amam loucamente".
Quando o carvão escapava de suas mãos, depois de terminar a mensagem, saltitava pela mata cantarolando: "Vovó, Joãozinho, cá estou! Levando um cestinho, cheio de docinhos".
Mera pureza pairava da face rubra de Maria. Sussurrava uma canção infantilóide, quando, de repente, um tronco que seria carimbado com a oração romântica, protestou:
- Ô menina doida, tire as mãos de mim!
Apavorada, perguntou-se:
- Estou aqui sozinha, não estou? Então, quem está falando comigo? Ah, devo ter divagado... - concluiu.
Maria, rubra, não possuía emocional propício para imaginar a ação de uma fábula, na qual seres esquisitos dialogavam.
O tronco falante, exausto com inércia da donzelinha, retirou do chão uma de suas raízes, para demonstrar à angelical criatura, sua autenticidade. Como se fosse uma perna, arrancou do solo uma ponta arraigada, batendo-a estrondosamente. Por pouco, não acertou o minúsculo pé de Maria.
- Ora, petulância! Além de caminhar pelo meu território, não sabe sobre a respiração vegetal - disse o tronco e prosseguiu - Ô menininha, vê se enxerga seus passinhos, senão, vai cair de cara num cupinzeiro, tá bom?
Maria que só sabia das velhas estórinhas, estranhou o tronco e começou a chorar.
Ele, sensibilizado, refletiu sobre as dificuldades atuais para se fazer amigos e disse:
- Ô guria, sou um velho tronco brincalhão. Agora, se você quer copiar as estórias que já ouviu, tudo bem! Queria apenas ser o tronco-mau, porque aquele velho lobo, o povo já levou.
A menina, estarrecida, questionou:
- Você não tem olhões, orelhonas, narigão e bocona para me comer?
Ele, tranquilo, filosofou:
- Tenho oxigênio, robustez, idoneidade e longas raízes para fazê-la viver.
Maria Vermelha, seguiu pela mata cantando: "Ela mora longe e o caminho é deserto e tronco-mau passeia aqui por perto".

ISABEL CARVALHO [4:54 PM]

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[ Quinta-feira, Junho 12, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [4:03 PM]

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[ Quarta-feira, Junho 11, 2003 ]

 
Cristal da Corte
límpido relutante ruído
soa leve como se em absoluto
existisse algo
concatenador de seu som
em segundos espatifa-se
o assoalho segura suado
as leves partículas fundidas
dialetos esperantos simbólicos

raphael o épico murmura
refuta sobre a bipartição artesanal
funde o artístico ao decifrado
recoloca as gotículas efervescentes

cristais retomando as origens
ao retorno desencontram os encaixes
formam nova figura em velha fisionomia
como seres envelhecidos plastificados

el rei chega à nobre loja
caprichoso quer algo rústico
o humilde alcoviteiro
oferece o cristal trincado
ofegante arrogantemente alucinado
permuta a nobre taça trincada
aos serviçais esfolados
sucumbindo ao vinho incolor palatino

guerreiros por natureza
destroçam a taça do Rei
provando que da nobreza
só levam o que dela nada se fez

ISABEL CARVALHO [7:57 PM]

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Barroco
Estranharão os insensíveis
quando disser: amo você!
Toda forma de amor,
à parte encíclicas,
vale à pena.
Pena severa para quem
não a merece.
Sua áurea vagando incomoda
seu pensamento ambíguo.

Cidade medíocre é comum,
cabeças incomuns se tornam
gloriosas...
inexpressivas diante ao atraso,
não imagine você sobre o meu sofrer!

E o que quero
será sempre inconcebível.
Punjadas eufóricas
impressionantemente sociais.

Ora, cumprir dever cívico!
Pelo corredor vou ao corrimão,
deslizando as ásperas digitais,
imprimindo sua ausência
Em madeira vitimada.

ISABEL CARVALHO [4:31 PM]

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ISABEL CARVALHO [4:17 PM]

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ISABEL CARVALHO [2:28 PM]

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ISABEL CARVALHO [1:54 PM]

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kafkiana

Na escada do confissionário
Dei de cara com um amuleto
De voz nobre

Oficializou a retórica
Será que ele morreu?

Não disse palavras
Concluiu-se que nada era
Senão um sonho adentrando

a madrugada dos desfigurados!
ISABEL CARVALHO [1:53 PM]

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[ Terça-feira, Junho 10, 2003 ]

 

ISABEL CARVALHO [2:56 PM]

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Oh, pensei que meu amor estivesse mais perto,
próximo de mim...
Tão distante está, que perturba-me pensar tão longe,
é chato ficar assim.
Mas, meu amor em breve chegará.
Virá com asas de anjo pousar sobre minha alma,
Deitar-se na minha cama, estender-me a mão e amando
sentirei o amor tão perto, tão dentro, tão meu,
só meu, aqui, pele com pele,
cheiro com cheiro,
jeito com jeito de amar esse amor espetacular que vai chegar!

ISABEL CARVALHO [12:07 PM]

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[ Quinta-feira, Janeiro 30, 2003 ]

 
Cadê o cara do berimbau?</b>
Hei! Tá aí o garoto dançante? Aquele do berimbau?
Depois da vitória da quarta-via, viu seus sonhos despetalados. Decepcionado, jogou o berimbau no saco e foi tentar a sorte no Poço dos Desejos.
- Quero tocar, ó céus, mas o governo que tenho é ingovernável. Lança mirabolantes planos. Planos planejados há décadas... Penso não receber mais trocados. Tento tocar berimbau por um vale-miséria! Misericórdia, socorra-me! Help, please, save me! I'm tired and play, and play, and... plaft!
Acorda! O menino apareceu?
Milhares de garotos candidataram-se para assumir a paternidade do berimbau... Pena, pena mesmo! Nenhum sabia o ritmo! Nenhum sabia o tom! Todos queriam o dom daquele garoto laminado de ouro, que um dia fez serenata com um berimbau (eu acho!) pra mim.
ISABEL CARVALHO [9:16 PM]

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Estafa

Há uma curva
à curva da curva
curvou curvada a munda
círculo circunferência curvada
há uma curva à curva da curva
curvou curvada a curva que circunda a munda
a munda circulou na circunferência curvada
há uma curva na munda imunda
ISABEL CARVALHO [8:26 PM]

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Têm dias que a gente não sabe se corre ou se fica. Mas, em se tratando desta nossa épocazinha, em que todos correm atrás não sabem de quê, dá vontade de parar numa esquina e passar o dia fazendo bolinhas de sabão! Quem sabe assim, as coisas possam fluir de forma menos prensada. Quem sabe, podemos sonhar com aquela velha varanda repleta de plantas, como existia há tempos nas simples casinhas interioranas.
Nem pena, nem caneta tinteiro, nem grana, nem nada!
Como alternativa nos restou a Microsoft, com suas placas mães a nos impor as alas dos plugados, bloggados, ébrios, anfetaminados... e dissiminar, dissimular, discorrer idéias vagas, sem eira nem beira...
E todos acham legal... e fingem entender... e se enlouquecem... e se esquecem...
se lembram de, no dia seguinte, conectar na fantasmagórica onda virtual pra sacar se os fiéis seguem o caminho dos chips, das cabras-cegas, que circulam nos arredores planetário...
cadê o moleque do berimbau?
ISABEL CARVALHO [2:01 PM]

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[ Terça-feira, Janeiro 28, 2003 ]

 
Oh, curiosidade!
A curiosidade é tão e somente
a vontade de saber
se há algo seu
no desejo alheio!
ISABEL CARVALHO [4:37 PM]

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